Foguete europeu Ariane 6 decola com sucesso em seu primeiro voo e coloca satélites em órbita

Foguete europeu Ariane 6 decola com sucesso em seu primeiro voo e coloca satélites em órbita


Lançamento marca o retorno do continente ao acesso autônomo ao espaço; missão, no entanto, só será considerada completa quando o estágio superior da nave cair na atmosfera

Arianegroup/Arianespace/ CNES/EFEO foguete Ariane 6 decola do espaçoporto de Kurú, na Guiana Francesa
O foguete Ariane 6 decola do espaçoporto de Kurú, na Guiana Francesa

O foguete europeu Ariane 6 decolou com sucesso nesta terça-feira (9), na Guiana Francesa, e conseguiu colocar em órbita os microsatélites que transportava. Este foi o primeiro voo do veículo espacial, marcando o retorno da Europa ao acesso autônomo ao espaço. “É um dia histórico para a ESA e para a Europa”, comemorou Joseph Aschbacher, diretor-geral da Agência Espacial Europeia (ESA). Philippe Baptiste, diretor da agência espacial francesa CNES, afirmou que “a Europa está de volta”. No entanto, o sucesso será completo apenas quando o estágio superior do foguete cair na atmosfera como planejado, cerca de três horas após o lançamento. “A missão ainda não terminou”, alertou Martin Sion, chefe da fabricante Arianegroup.

Na Sala Júpiter, localizada a 17 km da plataforma de lançamento e centro de controle da missão, a calma dos operadores contrastou com a emoção de um voo esperado há quatro anos pela ESA. “Propulsão nominal, trajetória conforme o esperado”, anunciou Raymond Boyce, diretor de operações, diante dos aplausos na sala. Antes mesmo do sucesso do voo, o chefe da NASA, Bill Nelson, celebrou nas redes sociais um “grande passo para a ESA com o primeiro lançamento de seu poderoso foguete de nova geração”. Apesar dos numerosos testes em terra e das simulações realizadas nos últimos meses, havia “um elemento de risco” antes do voo, explicou Philippe Baptiste. Historicamente, quase metade dos primeiros lançamentos de foguetes resultaram em falhas, como em 1996 no caso do primeiro Ariane 5, que teve apenas duas falhas em um total de 117 lançamentos.

O Ariane 6, lançado em 2014, tem capacidade para colocar satélites geoestacionários a 36 mil quilômetros de altitude e constelações de satélites a centenas de quilômetros da Terra. O estágio superior do foguete é equipado com o motor Vinci, a principal inovação da nave. Durante o voo, o motor Vinci foi acionado com sucesso duas vezes para posicionar o estágio superior no ponto de lançamento das cápsulas, uma hora e seis minutos após o lançamento. Quando o motor for acionado pela última vez, o estágio superior retornará à atmosfera, caindo no Pacífico próximo ao ponto Nemo. Este voo do Ariane 6 é estratégico para os europeus se desejam continuar competindo com a gigante americana SpaceX, que lança seus foguetes reutilizáveis Falcon 9 cerca de duas vezes por semana. Desde o último voo do Ariane 5, há um ano, os europeus não podiam mais colocar um satélite em órbita por seus próprios meios. Além disso, o foguete Vega-C está em terra desde o final de 2022 após um acidente.

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Após este primeiro voo, serão necessários vários meses para analisar os dados transmitidos pelos múltiplos sensores do foguete antes de um primeiro lançamento comercial no final do ano, provavelmente com o satélite de observação militar francês CSO-3. O próximo desafio será “aumentar a frequência” dos voos, segundo Toni Tolker-Nielsen, com seis voos planejados para 2025 e oito no ano seguinte. O Ariane 6 já registra 29 voos em sua lista de pedidos, um “sucesso absoluto sem precedentes para um foguete que ainda não voou”, conforme afirmou recentemente Stéphane Israel, chefe da Arianespace, empresa responsável pela comercialização e operação do foguete. No entanto, o programa sofreu recentemente um revés: Eumetsat, operador de satélites meteorológicos europeus, cancelou no final de junho o lançamento de seu satélite MTG-S1 programado com o Ariane 6 para o início de 2025. Em vez disso, realizará o lançamento com a SpaceX, citando “circunstâncias excepcionais”, sem dar mais detalhes. Para Joseph Aschbacher, diretor da ESA, trata-se de uma decisão “difícil de compreender” por parte de um organismo intergovernamental de 30 países europeus.

*Com informações da AFP
Publicada por Felipe Cerqueira





Fonte: Jovem Pan

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