Na XP, sai o velho “otimismo” com a Bolsa e entra a realidade da renda fixa

Na XP, sai o velho “otimismo” com a Bolsa e entra a realidade da renda fixa


Quando olhavam as perspectivas para investimentos no País em 2024 no final do ano passado, a equipe de analistas, economistas e estrategistas da XP Investimentos demonstrava bastante otimismo em relação à renda variável, num momento em que a política fiscal não era uma questão e a expectativa era de início de cortes de juros nos Estados Unidos.

Mas o que se viu no primeiro semestre foram esses temas frustrando as expectativas de uma forte alta da Bolsa. Com o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) adiando o afrouxamento monetário e o Brasil voltando a discutir os “velhos problemas fiscais”, o Ibovespa fechou a primeira metade de 2024 com queda acumulada de 7,7%.

Diante da expectativa de que os juros americanos começarão a cair levemente, ainda permanecendo em patamares elevados em relação aos últimos anos, e com a incerteza fiscal “pairando sobre as cabeças” do mercado local, a avaliação da XP é de que é preciso ter mais cautela na tomada de risco nos portfólios para o segundo semestre.

A ideia é evitar excessos, principalmente em estratégias que exponham as carteiras a riscos elevados de mercado e volatilidade, como renda variável. A avaliação é de que o cenário é mais favorável para capturar prêmios de risco na renda fixa.

“Estamos com uma postura que se beneficia dos prêmios de riscos sem ir para ativos com mais beta”, disse Artur Wichmann, CIO da XP, nesta segunda-feira, 8 de julho, ao apresentar a visão da casa para investimentos e economia no segundo semestre. “Não estamos usando toda a ‘pista’ que temos no orçamento de risco.”

A XP apresenta uma visão positiva por ativos e instrumentos que tenham um carry “interessante”, aproveitando as elevadas taxas vistas nos títulos prefixados e de inflação no Brasil.

Em termos de indexadores, a preferência é pelo IPCA+, por oferecer uma rentabilidade acima de 6% de juro real, maior patamar dos últimos 12 meses. Segundo Wichmann, quando o título apresenta um prêmio de 6%, as chances de ele bater o CDI é de cerca de 80%, levando em conta o que foi visto nos últimos anos.

“A probabilidade do IPCA+ bater o CDI é muito alta e ele traz a questão da proteção contra a inflação, o que traz proteção ao portfólio”, afirmou.

A XP avalia que títulos prefixados voltaram a pagar taxas próximas a 12% ao ano ou mais, no caso de títulos privados, patamar que não era observado há alguns meses. Os pós-fixados voltaram a aparecer como uma opção “interessante”, considerando a perspectiva de manutenção da Selic em dois dígitos até o final de 2025, unindo “boa rentabilidade e menor volatilidade dentro do portfólio”.

A renda fixa internacional se apresenta como uma “opção de diversificação”. Segundo a XP, com a manutenção de juros altos por mais tempo pelo Fed, as Treasuries pagam taxas em dólar em torno de 4,5% a 5,5% ao ano, dependendo do prazo de vencimento.

Sobre a questão de vencimentos, a visão tanto para renda fixa prefixada brasileira, quanto para a renda fixa global, é de que o momento não é favorável para ter papéis com duration acima de dois e três anos, diante das incertezas com o cenário.

Ainda na parte de alocação, a XP apresenta uma visão “construtiva” para fundos listados no Brasil, com foco nos imobiliários. E não é para qualquer FII, e sim para os fundos de papéis, menos sensíveis à alta dos juros, com destaque para aqueles classificados como high grade.

Fundos de tijolos podem apresentar oportunidades, principalmente se passarem por reavaliações de seus patrimônios e reajustes de aluguéis.

Bolsa

A situação macro, especialmente o lado fiscal, acaba ofuscando a renda variável, que chegou a ensaiar um retorno, após prejudicada pelos esforços do BC e das autoridades monetárias globais em dissipar a inflação vinda dos esforços para mitigar os efeitos econômicos da Covid-19.

Mesmo com o cenário global e local prejudicando o desempenho das ações, a XP destaca que o “micro” das empresas, no caso, a situação delas, é positiva.

“Além de estarem com valuation baixo, as empresas estão gerando caixa, estão pagando dividend yield acima das médias históricas, com as estimativas de lucro do mercado sendo revisadas para cima”, afirmou Jennie Li, estrategista de ações.

Com o cenário macroeconômico ainda pressionando as ações, a preferência são por nomes de qualidade e geradores de caixa, ao invés de papéis cíclicos e com beta elevado. As principais recomendações da XP são os papéis de C&A, Itaú e Lavvi.

A XP manteve o valor justo do Ibovespa para o ano em 145 mil pontos, vendo como os principais catalisadores para a Bolsa o início do corte de juros nos Estados Unidos e a melhora do fluxo de notícias sobre a situação fiscal e monetária do País, além da boa situação das empresas.



Fonte: Neofeed

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