Geraldo Alckmin acumulou, até abril deste ano, os cargos de vice-presidente da República e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), mas deixou o ministério, conforme determina a legislação eleitoral, para disputar as eleições.
Durante uma cerimônia do partido em Brasília, Alckmin criticou o bolsonarismo e acusou o movimento de deturpar o lema “Deus, pátria e família”, frase que se tornou símbolo da extrema direita.
Na presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que participou do evento, Alckmin também afirmou que “não é possível falar em liberdade querendo derrubar a democracia” e relembrou a tentativa de golpe de Estado após o resultado das eleições de 2022.
“Aliás, quem não acredita na democracia não deveria nem disputar eleição, não deveria pedir voto. Se não acredita no povo, que deve ser o protagonista de todas as eleições, não deveria disputar eleição”, acrescentou.
Aos 73 anos e com 54 anos de vida política, Alckmin filiou-se ao PSB em 2022, durante a formação da chamada “frente ampla”, coalizão criada para derrotar Jair Bolsonaro (PL), então candidato à reeleição.
Filiado por mais de 30 anos ao PSDB, partido de centro-direita, Alckmin foi um duro crítico do PT e governou o estado de São Paulo em quatro mandatos distintos. O estado nunca foi administrado pelo Partido dos Trabalhadores.
Além de ser a unidade da federação mais rica do país, São Paulo também é a mais populosa, concentrando cerca de 21% do eleitorado brasileiro, com 34,1 milhões de eleitores aptos a votar.
A aproximação entre Alckmin e Lula é relativamente recente. Os dois já trocaram críticas no passado e foram adversários históricos, inclusive na eleição presidencial de 2006, quando Lula foi reeleito para o segundo mandato.
Em 2018, Alckmin voltou a disputar a Presidência da República, mas terminou em quarto lugar no primeiro turno, com apenas 4,76% dos votos.
À frente do governo paulista, Geraldo Alckmin ficou conhecido por promover privatizações de empresas estatais, pela atuação de uma polícia frequentemente criticada pela repressão a professores durante greves e por suas frases prontas e estilo discreto.
Por causa da falta de carisma, recebeu o apelido de “picolé de chuchu”, em referência ao vegetal considerado sem sabor.
Nos últimos anos, porém, essa imagem mudou. O político buscou renovar sua imagem pública publicando memes nas redes sociais, gravando vídeos bem-humorados e até adotando meias coloridas em aparições públicas.
Desde a eleição de Lula, Alckmin passou a conquistar a simpatia de setores da esquerda ao se mostrar um aliado fiel do presidente, sem tentar disputar protagonismo dentro do governo.
Por ter comandado o estado mais industrializado do país, Lula confiou a ele o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), com a missão de facilitar o diálogo entre o governo e o setor industrial, tradicionalmente mais resistente à esquerda.
Em entrevistas, o vice-presidente costuma afirmar que “sempre foi muito bem recebido” no PT e se define como o “copiloto” de Lula.
Durante o evento, o presidente Lula disse que pode “dormir tranquilo” tendo Geraldo Alckmin como vice-presidente.
“Com Alckmin, a gente nunca vai pensar que vai dormir e ter um golpe no dia seguinte de manhã”, declarou.
A frase foi interpretada como uma crítica indireta ao ex-presidente Michel Temer, vice de Dilma Rousseff em 2016, acusado por setores da esquerda de ter contribuído para o processo que levou ao impeachment da petista.
No próximo domingo, o PT realizará uma cerimônia para oficializar a candidatura de Lula da Silva, que disputará um quarto mandato presidencial aos 80 anos. Lula governou o Brasil pela primeira vez entre 2003 e 2010.
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