A FIFA reagiu nesta sexta-feira às ameaças de boicote feitas pela UEFA e defendeu a proposta que prevê a entrada de investidores privados na exploração comercial de suas principais competições, entre elas a Copa do Mundo.
Em comunicado, a entidade comandada por Gianni Infantino negou que o projeto represente uma venda do futebol e afirmou que a eventual criação da FIFA Forward Enterprise, chamada de FFE, dependerá de uma consulta aberta às 211 federações nacionais.
Segundo a FIFA, a discussão foi prejudicada pela divulgação de informações que a entidade considera incorretas. O projeto, de acordo com a organização, permitiria que as federações participassem das oportunidades comerciais geradas pelo futebol em seus respectivos países, sem alterar a estrutura de governança da entidade.
“Ninguém está vendendo o futebol”, afirmou a FIFA, acrescentando que jamais consideraria abrir mão do controle da modalidade.
A entidade também argumentou que nenhuma confederação pode falar em nome de todas as 211 federações filiadas. Na avaliação da FIFA, cada associação deve ter o direito de analisar a proposta e decidir individualmente se deseja apoiá-la.
Projeto prevê empresa avaliada em US$ 20 bilhões
A proposta prevê a criação de uma empresa responsável pelas operações comerciais e pela organização dos torneios da FIFA. A nova companhia seria avaliada em aproximadamente US$ 20 bilhões e poderia ter uma participação minoritária de até 20% negociada com investidores externos.
A FIFA permaneceria com o controle majoritário da empresa e sustenta que as decisões esportivas e institucionais continuariam sob sua responsabilidade.
Pelo modelo apresentado às federações, cada associação receberia inicialmente US$ 20 milhões. Somados aos recursos previstos pelo programa FIFA Forward, os repasses poderiam chegar a US$ 40 milhões por federação durante o próximo ciclo.
A entidade afirma que a adesão seria voluntária e que a proposta ainda poderá ser modificada, aprovada ou rejeitada pelas federações.
Caso não consiga o apoio da maioria dos integrantes, a FIFA garante que a FFE não será criada e que sua atual estrutura comercial permanecerá inalterada.
UEFA ameaça abandonar competições da FIFA
A reação da FIFA ocorreu depois de a UEFA anunciar que suas 55 federações estão dispostas a boicotar as competições da entidade máxima do futebol caso o projeto avance. A medida poderia atingir torneios de seleções e clubes, incluindo as Copas do Mundo feminina de 2027 e masculina de 2030.
A confederação europeia exige que a proposta seja retirada e que a FIFA apresente garantias de que não permitirá a participação privada na governança do futebol ou no controle de suas competições.
Em nota, a UEFA afirmou que não pretende dar legitimidade a um modelo que, em sua avaliação, coloca o patrimônio do futebol nas mãos de investidores.
A entidade comandada por Aleksander Ceferin também criticou a condução do processo, alegando falta de transparência, pouco tempo para análise e ausência de um debate mais amplo antes da apresentação do projeto.
Concacaf rejeita proposta
A Concacaf, responsável pelo futebol da América do Norte, América Central e Caribe, também se posicionou contra a criação da nova empresa.
Depois de uma reunião com suas 41 federações, a confederação declarou que a proposta não passou pelos procedimentos adequados de governança e que nenhum órgão competente da FIFA havia analisado ou aprovado formalmente o plano.
Por esses motivos, a Concacaf rejeitou o projeto e pediu que seus representantes no Conselho da FIFA discutam outras formas de utilizar as reservas financeiras da entidade para ampliar os investimentos no desenvolvimento do futebol.
Apesar da rejeição, a confederação não anunciou adesão ao boicote proposto pela UEFA.
Infantino estabelece prazo para federações
Gianni Infantino enviou uma carta às 211 federações filiadas e estabeleceu o dia 19 de setembro como prazo para que elas se posicionem sobre o projeto.
O período corresponde a 53 dias desde a apresentação da proposta. Segundo a mensagem, o pacote financeiro de US$ 10 bilhões estaria disponível a partir de 1º de janeiro de 2027 caso o projeto fosse aprovado.
Se as federações rejeitarem o plano, permanecerá em vigor o modelo já previsto pelo programa FIFA Forward, com investimentos globais estimados em US$ 2,7 bilhões.
A proposta provocou uma das maiores disputas institucionais recentes do futebol mundial. De um lado, a FIFA sustenta que a entrada de capital privado ampliaria os recursos destinados às federações. Do outro, UEFA e Concacaf questionam a transparência do processo e alertam para os riscos de transformar os principais torneios da modalidade em ativos comerciais controlados parcialmente por investidores.



