O Itaú Unibanco reduziu, nesta sexta-feira (31), sua projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026, de 2,1% para 1,9%, citando a deterioração recente dos indicadores de atividade ao longo do trimestre. O banco também diminuiu sua expectativa para o PIB de 2027, de alta de 1,7% para 1,5%, incorporando um cenário de El Niño forte.
Em relação à revisão do PIB deste ano, a instituição afirma que a previsão considera os dados mais recentes divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) para maio, bem como os indicadores coincidentes e o IDAT-Atividade de junho. “Em conjunto, sugerem uma perda gradual de dinamismo da economia ao longo do trimestre”, diz o relatório assinado pelo economista-chefe do Itaú, Diogo Guillen.
Conforme os dados captados pelo banco, o tracking do Itaú para o PIB do segundo trimestre de 2026 indica avanço de 0,5% na margem, com ajuste sazonal, e alta de 2,0% na comparação anual. Apesar de o resultado ainda sugerir resiliência, ficou abaixo do que a instituição projetava anteriormente, especialmente diante do forte impulso fiscal estimado para o período.
Para o segundo semestre de 2026, o Itaú manteve a avaliação de desaceleração, com projeções de crescimento de 1,9% no terceiro trimestre e de 1,8% no quarto, refletindo a perda de tração do estímulo fiscal e os efeitos defasados da política monetária contracionista.
Quanto à revisão do PIB para 2027, a instituição atribui o ajuste à incorporação de um cenário de El Niño forte, com impacto negativo sobre a agropecuária. Essa influência deve ocorrer, especialmente, devido a uma possível quebra da safra de milho, enquanto a produção de soja deve permanecer estável. O banco espera, ainda, que a contribuição da política fiscal para o crescimento desacelere no próximo ano, embora permaneça positiva.
No mercado de trabalho, o Itaú manteve a estimativa de desemprego em 5,7% em 2026 e elevou a projeção para 2027 de 6,0% para 6,1%, em linha com a revisão do PIB.



