SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar está em queda nesta sexta-feira (12), com investidores digerindo os novos dados de inflação no Brasil, enquanto no exterior a moeda norte-americana tem sinais mistos ante as demais, em meio à expectativa de que um acordo seja finalmente assinado por Estados Unidos e Irã.
Às 10h36, a moeda norte-americana recuava 0,52%, cotada a R$ 5,072. Já a Bolsa avançava 0,57%, a 172.490 pontos.
Na quinta, o dólar despencou 1,33%, cotado a R$ 5,099, e a Bolsa avançou 1,7%, a 171.497 pontos.
O dia foi embalado por declarações do presidente Donald Trump sobre a iminência da assinatura de um acordo para encerrar a guerra no Oriente Médio.
Trump publicou na rede social Truth Social que, “considerando que as discussões com o Irã foram levadas ao mais alto nível da liderança iraniana e aprovadas”, os ataques e bombardeiros programados contra Teerã para noite passada foram cancelados.
“As discussões e os pontos finais foram, tanto em conceito quanto em detalhes, aprovados por todas as partes envolvidas, incluindo os Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Egito e outros”, escreveu ele.
“O bloqueio naval permanecerá em pleno vigor até que esta transação seja finalizada -a data e o local da assinatura serão anunciados em breve.”
O regime iraniano não comentou de forma oficial a afirmação do presidente. A agência de notícias estatal Fars, citando um funcionário iraniano envolvido com as negociações, disse que Teerã não havia concordado com a versão final de nenhum documento.
O anúncio fez com que ativos de risco se valorizassem globalmente. Até então, investidores se mantinham cautelosos sobre a escalada de ataques entre Irã e Estados Unidos, que já estava entrando no terceiro dia a despeito do cessar-fogo travado em abril.
A moeda norte-americana, antes em leve queda, firmou em forte baixa e chegou à mínima de R$ 5,096 no final da tarde. Na máxima do dia, foi a R$ 5,180. O movimento de desvalorização da divisa foi global, com o índice DXY, que compara o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, recuando 0,3%, a 99,66 pontos.
O bom humor também chegou nos índices de Wall Street, já fortalecidos pelo boom de inteligência artificial. S&P500, Nasdaq e Dow Jones fecharam com ganhos de 1,75%, 2,54% e 1,86%, respectivamente.
Ainda pela manhã, três fontes iranianas e uma autoridade europeia afirmaram, segundo a agência Reuters, que os dois países estavam trocando mensagens sobre os detalhes de um memorando após chegarem a um entendimento político, mas algumas questões ainda precisavam ser discutidas em detalhes, incluindo um mecanismo para a liberação de bilhões de dólares em fundos iranianos congelados.
“Esta guerra, do ponto de vista militar, é um beco sem saída. Os norte-americanos não conseguiram atingir seus objetivos atacando o Irã. Houve progresso nas negociações”, disse uma das fontes iranianas.
Ao longo da guerra, Trump disse várias vezes que um acordo com o Irã estava próximo. O tratado envolveria uma resolução para o programa nuclear do país persa, a abertura do estreito de Hormuz e a suspensão de sanções contra Teerã.
Mais cedo, Trump chegou a falar que o Irã havia feito os EUA “de trouxa” nas negociações e que teria “de pagar o preço” por ter demorado demais para fechar um acordo. Trump ainda afirmou que gostaria de tomar a Ilha de Kharg, importante centro de infraestrutura petrolífera do Irã, mas não tem certeza se os norte-americanos estariam dispostos a uma escalada significativa na guerra.
“Estamos conversando com eles e tudo mais, mas, sabe, veja bem, minha preferência sempre foi tomar a Ilha de Kharg… essa seria minha preferência. Não sei se os Estados Unidos têm estômago para isso”, declarou ele em entrevista à Fox News.
O petróleo Brent, referência internacional, caía 4,6% no fim da tarde, cotado a US$ 88 o barril, próximo à mínima do dia. Já o WTI (West Texas Intermediate), referência dos Estados Unidos, caía 4,2%, a US$ 86.
As taxas dos DIs (Depósitos Interbancários) também operam em baixa, bem como os rendimentos de longo prazo dos Treasuries, títulos do Tesouro norte-americano.
No fim da tarde, a taxa do DI para janeiro de 2028 estava em 14,51%, em baixa de 0,39 ponto percentual ante o ajuste de 14,90% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, a taxa do DI para janeiro de 2035 estava em 14,38%, com queda de 0,34 ponto percentual ante o ajuste de 14,72%.
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