(FOLHAPRESS) – Depois de mais de uma década emendando personagens em produções para a TV, Jayme Matarazzo decidiu fazer o caminho inverso: trocar o roteiro pela imprevisibilidade da vida real.
O ator, que soma mais de dez novelas no currículo, lançou “Click: Expedições Fotográficas”, série documental em que estreia como diretor, roteirista e apresentador. O projeto, disponível no Globoplay e exibido pelo canal Modo Viagem, é resultado de um sonho antigo e, segundo ele, fruto de uma necessidade de voltar a olhar para si.
“Passei muitos anos vivendo os sentimentos dos meus personagens. O ‘Click’ representa justamente esse desafogo, quase uma fuga. Era uma vontade muito grande de viver a vida sem roteiro. Acordar sabendo apenas qual seria o desafio do dia, mas sem imaginar o que iria acontecer. Investir nos meus próprios sentimentos e na minha forma de enxergar o mundo era algo necessário”, afirma.
A ideia da série o acompanha há cerca de dez anos. Apaixonado por cinema e filho do diretor Jayme Monjardim, e neto da cantora Maysa, a “Rainha da Fossa”, morta em 1977, Jayme conta que a direção sempre foi seu primeiro objetivo profissional.
A atuação, diz ele, aconteceu quase por acaso. “Minha ideia inicial era dirigir. Entrei em ‘Maysa’ [série da Globo, de 2009, sobre a sua avó] como assistente de direção e terminei como ator [ele interpretou o pai durante a fase jovem da trama]. Brinco que passei muito tempo tentando fugir da atuação, mas parecia que o destino sempre colocava esse desafio na minha frente.”
Em “Click”, ele percorre oito destinos pela América do Sul e tem a fotografia como fio condutor para conhecer culturas, pessoas e paisagens. O foco, como ele faz questão de destacar, nunca foi transformá-lo em protagonista da narrativa.
“O programa está longe de ser sobre mim. É sobre as pessoas que habitam o mundo, sobre culturas diferentes que fazem parte da nossa existência. Eu entro como alguém curioso, aprendendo fotografia enquanto amplio meu olhar para tudo isso.”
O processo, no entanto, acabou revelando um Jayme pouco conhecido do público. Sem marcações, texto decorado ou personagens para interpretar, ele diz ter redescoberto o prazer da espontaneidade.
“Foi muito bonito me enxergar mais solto, mais livre, mais aberto ao novo. O ‘Click’ é um projeto artesanal, feito com a minha alma. Compartilhar sentimentos nunca é simples, mas fazer isso em uma obra que permanece no tempo tem um significado muito especial”, comenta.
Enquanto experimentava uma nova linguagem na série documental, Jayme também aceitou outro desafio: gravar a novela vertical “A Boa, a Má e o Marido Gigolô”, para a plataforma Tele Tele. O convite surgiu justamente quando ele finalizava as expedições e despertou sua curiosidade por um formato pensado para o consumo no celular, mas que, segundo ele, não abre mão do cuidado artístico.
“Independentemente do formato, o mais interessante foi descobrir novas nuances numa profissão que exerço há tanto tempo. É uma narrativa mais acelerada, em que tudo precisa ser contado com poucas palavras e muita intensidade”, diz.
Essa mudança de perspectiva também passa pela vida pessoal. Pai de Antônio, 5, e Maria, 2, Jayme afirma que a família se tornou um fator determinante na hora de aceitar novos trabalhos. A distância durante as gravações do documentário, por exemplo, foi um dos momentos mais difíceis da produção.
“Meus filhos são a viagem mais bonita que vou fazer na vida. Não existe lugar mais incrível do que a minha casa. Quanto mais viajo, mais descubro que meu melhor destino é voltar para a minha família. Hoje tudo precisa estar em sintonia: o projeto, o tempo que ele exige e o impacto que terá na nossa vida.”
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