NATHAN RAILEANU
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Atleta do Osasco São Cristóvão Saúde, Tifanny Abreu recebeu diferentes manifestações de apoio na noite deste sábado (15), na partida de estreia do Campeonato Paulista de vôlei contra o Pinheiros.
“Ela nos representa, representa Osasco, e temos que abraçar ela.”, disse Allan Costa, líder da Loucos de Osasco, ao UOL.
Atleta trans, Tifanny está proibida de atuar na Superliga Feminina. Na última sexta-feira (14), a CBV (Confederação Brasileira de Vôlei) anunciou que aderiu à política do COI (Comitê Olímpico Internacional) e da FIVB (Federação Internacional de Vôlei) em relação à comprovação do sexo biológico feminino, que agora será feita por testes do gene SRY.
Antes e durante a estreia do Osasco na competição organizada pela FPV (Federação Paulista de Voleibol), a torcida do Osasco prestou homenagens à jogadora. O nome de Tifanny foi entoado no Ginásio José Liberatti, e faixas foram estendidas. “Com preconceito não tem jogo”, dizia um cartaz.
“A impressão que eu tenho é que o mal venceu. É mais uma batalha entre tantas que a Tifanny já enfrentou. Não só ela, como muitas pessoas no Brasil vêm enfrentando. É triste presenciar esse tipo de situação em 2026. A Tifanny mostrou o seu talento, a pessoa e a mulher que ela é”, completou Allan.
Juan Diniz, outro integrante da Loucos de Osasco, usou o termo “retrocesso” ao comentar sobre a decisão da CBV. “A gente reclama muito, no caso do futebol, com os argentinos, de ter preconceito com os brasileiros. Mas isso acontece dentro de casa”, destacou.
“Tudo o que a gente conquistou, vêm evoluindo nesse assunto e em vários outros, e a principal confederação do voleibol brasileiro faz isso, retrocede. A gente não pode nem falar muito porque depois tem punição. O que dá mais força para nós, o que nos deixa mais fortes para a temporada, é que as meninas estão pela Tifanny, e nós faremos a festa por ela na arquibancada”, completou o torcedor.
A nova exigência vale a partir de agora para as principais competições do país. A lista inclui a Superliga A e B (temporada 2026/2027), a Supercopa 2026, a Copa Brasil 2027 e as competições nacionais de vôlei de praia.
O departamento jurídico do clube paulista, que reforçou seu suporte irrestrito à atleta, já analisa a nova portaria da CBV. O Osasco estuda o impacto legal do documento para decidir quais medidas serão tomadas em seguida.
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