O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, acusou o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, de tentar dificultar deliberadamente a prestação de serviços básicos à população cubana. A declaração ocorreu após Washington anunciar uma nova rodada de sanções contra autoridades e entidades da ilha.
“Em particular, as sanções obstruem o transporte de contêineres com alimentos, medicamentos e equipamentos médicos, adquiridos principalmente por micro, pequenas e médias empresas (MPME) privadas cubanas”, afirmou Rodríguez na rede social X.
O chanceler classificou a política adotada pelos Estados Unidos como uma “obsessão fracassada” contra Cuba e atribuiu a Rubio o “propósito deliberado” de impedir que o governo garanta serviços essenciais aos moradores do país.
Novas sanções dos EUA contra Cuba
Na quinta-feira, os Estados Unidos impuseram sanções a três autoridades cubanas e nove entidades estatais ligadas aos setores de mineração, comércio exterior e metalurgia. O Ministério da Construção também está entre os alvos das medidas.
As restrições fazem parte da estratégia de Washington para aumentar a pressão por mudanças políticas e econômicas em Cuba.
A nova rodada se soma às sanções dirigidas ao presidente cubano, Miguel Díaz-Canel, e às acusações criminais contra o ex-presidente Raúl Castro. As medidas integram a campanha do presidente Donald Trump para ampliar a pressão sobre o governo cubano, que já enfrenta uma grave crise.
No início de agosto, Marco Rubio afirmou que Cuba não teria uma “válvula de escape” da pressão exercida pelos Estados Unidos e que o governo da ilha não poderia simplesmente esperar pelo fim do segundo mandato de Trump.
A situação econômica cubana também foi afetada pelo embargo petrolífero iniciado em janeiro e por uma nova série de sanções secundárias adotadas desde maio, direcionadas a setores considerados importantes para a economia do país.
Cuba registra mais mortes do que nascimentos
As novas medidas são anunciadas enquanto Cuba enfrenta também um forte declínio populacional.
Dados divulgados na quinta-feira pelos meios de comunicação estatais mostram que o país registrou 136.214 mortes em 2025, mais que o dobro dos 68.064 nascimentos contabilizados no mesmo período.
O envelhecimento da população também avança. Pessoas com 60 anos ou mais representam atualmente 26,7% dos habitantes da ilha.
A taxa de fecundidade permaneceu em 1,29 filho por mulher pelo segundo ano consecutivo, o menor nível registrado desde 1958. Já a taxa bruta de reprodução ficou em 0,62 filho por mulher, bem abaixo dos 2,1 necessários para a reposição das gerações.
Ao fim de 2025, Cuba tinha uma população efetiva de 9.434.593 habitantes. Desse total, 7.044.773, o equivalente a 74,7%, viviam em cidades e aglomerados urbanos.
Outros 2.389.820 moradores estavam em áreas rurais, segundo dados do Centro de Estudos Populacionais e de Desenvolvimento (CEPDE), do Escritório Nacional de Estatística e Informação (ONEI), divulgados pelo Cubadebate.
Havana apresenta a maior taxa de redução populacional do país. Na capital, o município de Plaza de la Revolución concentra o maior percentual de idosos de Cuba: 38,2% dos moradores têm 60 anos ou mais.



