Tarcísio promove 11,2 mil policiais civis às vésperas da eleição; benefício inclui investigados



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O delegado-geral da Polícia Civil de São Paulo, Artur Dian, efetivou na terça-feira (29) a promoção de 11,2 mil agentes de diferentes categorias da corporação às vésperas do primeiro turno das eleições, que acontece no domingo (4). É a maior ascensão coletiva de carreira da história da instituição.

Entre os beneficiados estão policiais alvos de operações recentes sob a suspeita de corrupção, extorsão e sequestro. A informação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha.

Ao todo, entre outras carreiras, foram promovidos 3.500 investigadores, 2.000 escrivães e 1.500 delegados. O efetivo total da ativa da polícia é de 19,4 mil, segundo levantamento do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.

A SSP (Secretaria da Segurança Pública) disse em nota que o processo de promoção “segue critérios objetivos, como tempo de efetivo exercício, avaliação de desempenho, conclusão de curso específico e histórico disciplinar”.

A pasta afirmou que a análise do trabalho dos agentes promovidos leva em consideração o exercício apenas do ano passado, antes das operações contra os suspeitos, e que a “evolução funcional não afasta eventual responsabilização criminal ou administrativa”.

“Os requisitos são verificados de acordo com os marcos temporais estabelecidos na legislação, que impedem a participação de policiais que tenham recebido advertência ou repreensão nos 12 meses anteriores à abertura do processo, ou multa ou suspensão nos 24 meses anteriores”, disse o governo.

Inédita na história da corporação, a portaria que autorizou a evolução funcional só foi possível por uma lei de reestruturação de cargos aprovada às pressas pela Alesp (Assembleia Legislativa de São Paulo) no primeiro semestre deste ano.

O texto permite a promoção automática de carreira a todos que preencherem os requisitos estabelecidos pela norma. A promoção ocorre ainda que não existam vagas na posição imediatamente superior.

A legislação estabeleceu quatro critérios que tornam ou não um candidato elegível a ser promovido. O principal deles é a chamada “avaliação de desempenho satisfatória”, calculada a partir de critérios de qualidade e quantidade de trabalho, assiduidade e pontualidade e eficiência policial.

A legislação anterior não fala em desempenho, mas em merecimento. Para a gestão Tarcísio, a regra até então vigente abria espaço a decisões subjetivas.

A promoção da terça-feira beneficiou investigador Marcos Vinicius de Souza Melo, preso em 27 de agosto sob a suspeita de atuar num esquema de corrupção e lavagem de dinheiro destinado a facilitar rotas de contrabando em São Paulo.

A unidade onde ele trabalhava, o 1º Distrito Policial de Barueri, na região metropolitana da capital, chegou a ser alvo de diligências da Corregedoria da Polícia Civil, ocasião em que foram apreendidos mais de 50 celulares lacrados.

Os investigadores também apreenderam num cofre da unidade dois revólveres calibre.38 e R$ 19,5 mil em espécie, valor para o qual não houve justificativa apresentada, segundo o Ministério Público.

Melo foi solto no mês passado em decisão que revogou sua prisão preventiva. Na última terça (29), ele foi promovido a investigador de primeira classe. A defesa dele declarou à Folha que não vai comentar o caso, que corre sob segredo de Justiça.

Outro beneficiado com a evolução coletiva de carreira foi o carcereiro Milton Massaru Nakayama, preso em 22 de agosto, dias antes da prisão de Melo, sob a suspeita de participar do sequestro de um jovem na região de Artur Alvim, zona leste da capital paulista.

O crime atribuído a ele ocorreu no início daquele mês na travessa da rua Inês Monteiro, durante a noite, e foi flagrado por câmeras de segurança. As imagens mostram dois homens armados que se aproximam de um grupo de amigos por volta das 22h20 e passam a agredir um jovem de blusa azul.

Ele é algemado e colocado no porta-malas do veículo, que deixa a rua logo depois. Nakayama seria um dos envolvidos, segundo a Corregedoria da Polícia Civil.

Sua defesa contesta. “Não há qualquer elemento que indique autoria, participação ou auxílio dele na prática do delito. A prisão preventiva é manifestamente ilegal, e a defesa adota medidas cabíveis”, declarou em nota nesta quinta-feira (1) o escritório Arêdes, Macedo e Mattuella, que o representa.

Na terça, ele foi promovido a carcereiro de classe especial. Apontado como suposto comparsa no esquema, o agente policial Vagner Ramalho, preso na mesma operação, também foi beneficiado com a medida. A reportagem não identificou a defesa dele.

A promoção beneficiou também o delegado João Eduardo da Silva, preso em março deste ano no âmbito da operação Baazar. Ele é suspeito de integrar um esquema de corrupção e extorsão para atrapalhar o andamento de investigações da Polícia Civil sobre lavagem de dinheiro.

Segundo as investigações, Silva promovia investigações de gaveta contra determinados suspeitos e exigia propina para não dar sequência a elas. A defesa dele diz que não há “qualquer ato irregular ou ilícito de sua parte, direto ou indireto” e afirma acreditar que o caso será arquivado.

“João sempre dignificou a Polícia Civil, combatendo a criminalidade e protegendo a sociedade, o que foi e é reconhecido por seus superiores e por todos aqueles com ele trabalhou. Assim, por merecimento, dedicação e a competência, obteve as promoções dentro da carreira”, disse à Folha o advogado Daniel Bialski, que o defende no caso.

Leia Também: Número de registro de estupros cresce em 2026 em SP; homicídios, latrocínios e roubos caem



Fonte: Notícias ao Minuto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *