ALEXANDRE ARAUJO
RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) – Pâmella Oliveira praticava natação na infância e, ainda no começo da adolescência, era apontada como promessa. A origem humilde da família, moradora da periferia de Vila Velha, no Espírito Santo, não impediu o apoio. Sua mãe, Ana Lúcia, vendeu doces, salgadinhos e até alumínio das latas que recolhia para aumentar a renda para ajudar a filha a manter o sonho de se tornar atleta.
Anos mais tarde, as braçadas se uniram à corrida e às pedaladas, e quis o destino que aquelas latinhas catadas ajudassem a forjar a “Dama de ferro”, como passou também a ser conhecida a triatleta quatro vezes campeã sul-americana de Ironman.
“Minha mãe foi a fã número um e quem me apoiou 100%, até quando não tinha condições. Éramos uma família muito humilde, não tinha dinheiro para coisas básicas, e fazer um esporte é gastar com coisas extras. Era bem difícil. Tivemos bastante ajuda, mas minha mãe também fez tudo que ela pôde, como vender latinhas, fazer doces e salgados em casa para vender… Tudo que podia me manter no esporte. Falaram pra ela que eu tinha futuro, e então ela fez o possível para eu conseguir esse futuro”, afirma Pâmella.
Ela é uma das representantes do Brasil no Campeonato Mundial de Ironman 70.3, que acontece entre neste sábado (12) e domingo, em Nice, na França.
A migração da modalidade aconteceu aos 20 anos, quando atravessou uma fase em que se sentiu “um pouco estagnada e desmotivada”. Conheceu o triatlo através de um grupo com quem treinava na natação e começou do zero, iniciando o novo capítulo em meados de 2007.
“Não fazia treinamento algum de outra modalidade além da natação, que eu atuava de forma profissional. Comecei a fazer uns para aprender a andar na bicicleta, que é diferente, e fui pegando uns treinos iniciais de corrida. Eu fazia corrida apenas como preparação física em um momento curto do ano”, diz Pâmella.
No triatlo, Pâmella se encontrou e conseguiu realizar sonhos: foi bronze no Pan de Guadalajara em 2011 e representou o Brasil nas Olimpíadas de Londres-2012 e Rio-2016. No Rio de Janeiro, não escondeu a decepção com a posição alcançada – 40ª -, mas pouco depois passou a se destacar em competições de longa distância.
Não imaginava que começar a nadar me levaria até o triatlo e a todos esses títulos, mas desde criança eu tinha muito foco em querer ir para o Pan e Jogos Olímpicos, fazer uma carreira com vitórias. Tive vitórias na natação, mas foi no triatlo que consegui realizar todos esses sonhos com relação a grandes campeonatos.
Este será o segundo Mundial Ironman 70.3 que a brasileira disputa em Nice. “Estive em 2019 e, na época, tinha ficado bastante doente antes da prova. Então, não consegui treinar muito bem. Dessa vez, estou chegando saudável para, quem sabe, melhorar o que fiz naquele ano. Seria muito legal”.
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