Ilya Remeslo, o blogueiro que surgiu defendendo as políticas do Kremlin mas que mais recentemente criticava Vladimir Putin, foi internado em uma clínica psiquiátrica.
A notícia foi divulgada no domingo pela publicação The Moscow Times, que apontou que não foram dadas justificativas para a internação.
Vale destacar que Remeslo já tinha sido internado em uma clínica deste tipo durante um mês, em março do ano passado. Teve depois alta e continuou criticando as autoridades.
Na época, segundo a publicação acima citada, disse que a internação na clínica psiquiátrica tinha acontecido de forma involuntária e apontou que tinha sido uma forma de retaliação das autoridades, que já tinha começado a criticar. Já há uns meses, este homem disse que o presidente da Rússia deveria demitir-se, acusando também outros líderes russos de crimes.
Remeslo foi preso mais recentemente no meio do mês de julho, em São Petersburgo. Segundo noticiou há quase duas semanas a agência russa Tass, a detenção aconteceu depois de o homem divulgar “informações falsas” sobre a atuação das Forças Armadas russas.
Já antes de ser preso, Remeslo tinha deixado declarações nas redes sociais – mesmo no dia anterior. “A situação de Putin está se deteriorando rapidamente e a crise energética, que não existia quando fiz as minhas previsões, veio agravar o cenário. Os conflitos entre as elites também se intensificam”, escreveu em 16 de julho.
Nesta situação, “até um pequeno impulso pode provocar a perda do poder por parte de Putin”, acrescentou.
“Estou trabalhando discretamente em vários assuntos que surpreenderiam muita gente. Talvez venha a divulgar alguns mais tarde”, escreveu também.
Remeslo é também acusado pela oposição russa no exílio de ter contribuído para a morte, na prisão, há dois anos, do líder da oposição Alexei Navalny, ao ter feito várias denúncias às autoridades russas.
Segundo explicou o advogado de Remeslo, Sergey Badamshin, citado pela imprensa russa, ainda no domingo o homem recebeu uma encomenda e a pessoa que foi entregar viu o seu passaporte ser confiscado. Não foi informado de que se tratava esta encomenda.
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