O memorando de entendimento foi assinado na última quarta-feira e, agora, os principais negociadores dos Estados Unidos e do Irã estão em uma corrida de 60 dias para chegar a um acordo de paz definitivo.
Os primeiros dias de vigência do acordo de suspensão das agressões foram marcados por violações por parte de Israel, que manteve ataques no Líbano contra supostas posições do grupo pró-iraniano Hezbollah — e pelo subsequente anúncio das forças armadas iranianas de que haviam fechado o Estreito de Ormuz, uma via marítima estratégica por onde transita, em condições normais, cerca de um quinto do petróleo e do gás natural comercializados no mundo.
JD Vance deveria ter chegado na sexta-feira ao local das negociações na Suíça, no resort de Bürgenstock, próximo a Lucerna, mas a viagem foi adiada após a escalada dos combates no Líbano e o cancelamento, por parte das autoridades iranianas, da participação inicial nas conversas.
O Comando Central dos Estados Unidos contestou a alegação de Teerã de que o estreito teria sido novamente fechado e afirmou que as forças norte-americanas continuam monitorando a situação para garantir que o tráfego marítimo siga fluindo. O próprio Vance declarou que milhões de barris de petróleo passaram pela região nos últimos dias.
JD Vance deixou os Estados Unidos logo após a televisão estatal iraniana anunciar que os negociadores do Irã haviam chegado à Suíça. Entre os representantes de Teerã estão o presidente do Parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, além de autoridades do banco central e do setor petrolífero.
O vice-presidente norte-americano se juntou ao enviado especial Steve Witkoff e a Jared Kushner, genro do presidente Donald Trump, que já estavam no local para iniciar a análise dos detalhes técnicos, começando pelo dossiê nuclear.
As negociações também contam com a presença do primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, e do chefe do Exército do país, marechal Asim Munir, além de mediadores do Catar.
Vance afirmou que pretende permanecer na Suíça apenas “um ou dois dias”, deixando a maior parte dos detalhes técnicos para Witkoff e Kushner, o que aumentou o escrutínio sobre seu papel nas negociações, especialmente diante da possibilidade de uma candidatura presidencial em 2028.
O memorando assinado por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian permite que o Irã venda petróleo livremente e abre caminho para o desbloqueio de bilhões de dólares em ativos congelados.
O acordo também prevê que o Irã reduza suas reservas de urânio altamente enriquecido, que estariam armazenadas sob instalações nucleares alvo de ataques norte-americanos no verão passado.
O texto estabelece que navios comerciais podem atravessar o Estreito de Ormuz por 60 dias sem cobrança de taxas, embora não descarte a possibilidade de futuras tarifas impostas pelo Irã.
Trump chegou a ameaçar, neste sábado, impor taxas no estreito caso não haja um acordo definitivo com o Irã dentro do prazo de 60 dias.
A fragilidade do memorando é evidenciada pelo fato de que nem Israel nem o Hezbollah são signatários, além da promessa do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de manter tropas no sul do Líbano até que qualquer ameaça contra Israel seja eliminada.
O Hezbollah, por sua vez, também se recusou a cessar os ataques enquanto Israel não se comprometer com a retirada do território libanês.
Os confrontos entre Israel e o Hezbollah nos primeiros dias após a assinatura do memorando resultaram na morte de 47 pessoas no Líbano e de quatro soldados israelenses.
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