Uefa cita ‘esquema secreto’ e diz que perdeu confiança em Infantino na Fifa



SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) – A Uefa publicou um longo comunicado na manhã deste sábado (1º) em que critica a Fifa e seu presidente, Gianni Infantino, pela tentativa de vender ações da entidade na criação de uma empresa.

A entidade europeia aprovou o recuo da Fifa no plano. Infantino disse, na noite de sexta-feira (31), que a ideia não seguirá adiante após avaliar diferentes lados do debate.

No comunicado, a Uefa diz que a Fifa tentou se utilizar de um “esquema secreto com prazos acelerados”. A entidade também afirmou que conversará com outras entidades para que não se repita.

“Não podemos continuar assim com planos secretos em prazos acelerados, elaborados por indivíduos sem rosto e de benefício duvidoso para o jogo. Devemos identificar os responsáveis e responsabilizá-los. É correto que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que isso não possa ocorrer novamente”, diz o comunicado.

PERDA DE CONFIANÇA EM INFANTINO

A Uefa também foi dura nas críticas ao atual presidente da Fifa. A entidade citou discursos de Infantino na eleição de 2016 e afirmou que ele deixou de cumprir promessas. “O acordo obscuro, de bastidores e sem transparência, que ele arquitetou e tentou impor, esteve muito longe de ser transparente”, disse a Uefa.

A entidade que comanda o futebol europeu acredita que Infantino tenha perdido a confiança não só da Uefa, mas de outros setores do futebol. O comunicado, inclusive, é encerrado comemorando a retirada da proposta, mas incentiva uma reconstrução de confiança na Fifa.
“Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não deve ser o fim da história. A proposta foi retirada. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas começando”, disse ainda a entidade em comunicado.

O QUE ESTAVA EM DISCUSSÃO

A Fifa havia confirmado na terça-feira (28) que Infantino queria criar uma subsidiária avaliada em 20 bilhões de dólares (R$ 102,3 bilhões). A empresa, que recebeu o nome de Fifa Forward Enterprise, teria até 20% de sua participação acionária vendida a terceiros, por um valor estimado de 4,2 bilhões de dólares (R$ 21,4 bilhões).

A proposta previa concentrar direitos comerciais e a operação de eventos -entre eles, a Copa do Mundo- na empresa controlada pela própria Fifa. A ideia era reunir mais receitas como patrocínios, direitos de transmissão e licenciamento, mantendo a organização de competições sob responsabilidade da entidade máxima do futebol, de acordo com nota divulgada nesta semana.

O plano também vinha sendo discutido sob pressão de outras instituições. A Uefa anunciou boicote a torneios da Fifa após a divulgação da proposta, e a entidade global afirmou que a criação da empresa só ocorreria se fosse aprovada pela maioria das 211 associações-membro.

LEIA A NOTA COMPLETA

“A UEFA acolhe a decisão da FIFA de retirar seu plano de vender uma participação em suas competições – incluindo a Copa do Mundo – para a iniciativa privada.
A proposta foi rejeitada por unanimidade pelas associações nacionais da UEFA e por muitas outras federações e confederações de todos os tamanhos ao redor do mundo, cujo trabalho é proteger o futebol.
A UEFA agradece a todos os torcedores, ligas, clubes, jogadores, indivíduos, associações e confederações que se opuseram ao plano, juntamente com os muitos primeiros-ministros, chefes de Estado e comentaristas que demonstraram ao presidente da FIFA que o futebol não está à venda.
Não podemos continuar assim com planos secretos em prazos acelerados, elaborados por indivíduos sem rosto e de benefício duvidoso para o jogo. Devemos identificar os responsáveis e responsabilizá-los.
É correto que, nos próximos dias e semanas, a UEFA trabalhe com suas associações e em estreita cooperação com outras confederações para refletir sobre como isso aconteceu e elaborar um plano para garantir que isso não possa ocorrer novamente. Essa revisão deve ser completa e fundamental. Nenhuma opção deve ser descartada. A atual liderança da FIFA não apenas perdeu a confiança da UEFA, mas também a de muitos outros membros da família do futebol.
Quando Gianni Infantino pediu a confiança e os votos das associações-membro da FIFA para elegê-lo presidente da entidade em 2016, ele disse: “É claro que temos de ser transparentes. Tenho sido assim nos últimos 15 anos da minha vida na UEFA. Vocês terão de participar todos os dias da vida da FIFA”, antes de dizer às partes interessadas presentes: “O dinheiro da FIFA é o dinheiro de vocês. Não é o dinheiro do presidente da FIFA. É o dinheiro de vocês. Vocês são as associações nacionais e o dinheiro da FIFA deve servir para o desenvolvimento do futebol e para nada mais.”
Em ambas essas promessas, ele falhou em cumprir. O acordo obscuro, de bastidores e sem transparência, que ele arquitetou e tentou impor, esteve muito longe de ser transparente.
E, com reservas superiores a US$ 5 bilhões, ele também falhou em utilizar o dinheiro das associações em benefício do jogo.
A UEFA começará imediatamente a trabalhar com parceiros e partes interessadas em todo o mundo e em todos os níveis do futebol para propor uma nova forma de distribuir recursos por meio do programa FIFA Forward já existente.
Precisamos começar a usar parte desse dinheiro que está parado na conta bancária da FIFA para dar o impulso inicial de que o futebol de base e o futebol como um todo precisam em cada um dos 211 países da FIFA. Mas não precisamos vender a prata da família para pagar por isso.
Esta é uma vitória para todo o futebol. Mas não deve ser o fim da história. A proposta foi retirada. A tarefa de reconstruir a confiança na FIFA está apenas começando.”

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Fonte: Notícias ao Minuto

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