O mercado brasileiro oferece cada vez mais opções de ovos: convencionais, caipiras, orgânicos, livres de gaiolas e até versões enriquecidas com nutrientes, como ômega 3, selênio ou vitamina E.
Diante de tantas denominações, uma dúvida é comum: como saber se um ovo é realmente orgânico? E será que ele é mais saudável do que o convencional?
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), as diferentes denominações estão relacionadas às características do sistema de criação, à composição ou ao processamento do alimento e devem obedecer às regras específicas de produção e rotulagem.
O que é um ovo orgânico?
No Brasil, o ovo orgânico precisa ser produzido de acordo com as normas nacionais de produção orgânica.
De acordo com o Mapa, esse sistema estabelece exigências específicas para a alimentação e o manejo das aves e impõe restrições à utilização de determinados medicamentos, insumos e componentes da ração.
A produção orgânica também deve adotar práticas que levem em consideração o bem-estar dos animais e obedecer aos mecanismos oficiais de controle previstos pela legislação brasileira.
Como reconhecer ovos orgânicos no supermercado?
A maneira mais simples é observar a embalagem.
O Mapa informa que produtos orgânicos vendidos em mercados, supermercados e lojas devem apresentar no rótulo o selo federal do Sistema Brasileiro de Avaliação da Conformidade Orgânica, o SisOrg.
Por isso, não basta que a embalagem tenha expressões como “galinhas livres”, “happy eggs” ou outras referências ao modo de criação. Essas expressões podem ser utilizadas comercialmente, mas não substituem as denominações e exigências previstas na legislação.
O mesmo vale para os ovos caipiras. “Caipira” e “orgânico” representam sistemas diferentes e seguem regras próprias de produção e rotulagem.
O consumidor que quiser fazer uma verificação adicional também pode consultar o Cadastro Nacional de Produtores Orgânicos, mantido pelo Mapa.
Ovos orgânicos são mais saudáveis?
Não necessariamente.
Uma publicação da Embrapa Hortaliças afirma que a proporção dos principais macronutrientes, como proteínas e gorduras, é semelhante entre ovos produzidos por diferentes sistemas. Segundo a instituição, a diferença mais evidente entre ovos convencionais e ovos caipiras ou orgânicos costuma ser a coloração da gema, influenciada principalmente pela alimentação das galinhas.
Alguns micronutrientes podem apresentar variações. A Embrapa observa, por exemplo, que ovos provenientes de sistemas orgânicos podem apresentar maiores quantidades de pigmentos como luteína e zeaxantina, dependendo da alimentação das aves. Isso, no entanto, não significa que todo ovo orgânico tenha uma composição nutricional superior.
Um estudo brasileiro publicado na revista Ciência e Tecnologia de Alimentos, que comparou ovos convencionais, semi-orgânicos e orgânicos, também encontrou variações na composição entre os grupos. Os próprios pesquisadores destacaram que fatores como alimentação, raça e idade das galinhas podem interferir nesses resultados.
O Mapa reforça essa relação entre alimentação e composição. Segundo o órgão, é possível alterar a presença de determinados nutrientes no ovo por meio da dieta fornecida às galinhas. É assim, por exemplo, que são produzidos ovos comercializados com quantidades diferenciadas de ômega 3, selênio ou vitamina E.
Orgânico não significa automaticamente mais nutritivo
Na prática, a principal diferença do ovo orgânico está na forma como ele é produzido, e não em uma garantia de que tenha mais proteínas, vitaminas ou outros nutrientes.
Quem optar pelo produto por causa do sistema de criação e das regras da produção orgânica deve procurar o selo SisOrg na embalagem.
Já para quem está interessado exclusivamente no valor nutricional, o fato de um ovo ser orgânico, por si só, não permite concluir que ele seja mais saudável do que um ovo convencional. A alimentação das galinhas e outros aspectos da produção podem ter impacto maior sobre determinados nutrientes do que simplesmente a classificação “orgânico”.



