Derrotas, prisão e Trump enfraquecido: o que será dos Bolsonaro?


A família Bolsonaro chega à reta final de 2026 com uma sequência de reveses eleitorais e judiciais. Em menos de duas semanas, Flávio Bolsonaro perdeu a disputa pela Presidência da República, Jair Bolsonaro voltou a enfrentar a possibilidade de perder sua patente militar e Eduardo Bolsonaro permaneceu nos Estados Unidos após ser condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

O cenário ganhou um novo componente na terça-feira (3), com as eleições legislativas americanas. A perda de espaço dos republicanos no Congresso poderá ampliar a fiscalização sobre decisões do governo de Donald Trump, aliado político da família Bolsonaro.

O resultado não representa um rompimento de Trump com os brasileiros, mas ocorre em um momento em que Flávio e Eduardo enfrentam questionamentos sobre suas situações jurídicas e migratórias nos Estados Unidos.

No Brasil, a derrota presidencial também frustrou a possibilidade de um integrante da família assumir o Palácio do Planalto em 2027, enquanto Jair Bolsonaro cumpre pena pela trama golpista.

Flávio Bolsonaro perde eleição e questiona resultado

A derrota de Flávio Bolsonaro no segundo turno, em 25 de outubro, foi o principal revés eleitoral da família neste ano.

O senador recebeu 48,21% dos votos válidos, contra 51,79% de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), reeleito presidente da República. A diferença foi superior a 4,4 milhões de votos.

Flávio não reconheceu o resultado e anunciou que tentaria anular a eleição, alegando irregularidades na prorrogação do horário de votação determinada pelo ministro Cristiano Zanin, do STF.

“É impossível reconhecer o resultado das eleições no contexto como essas coisas aconteceram. Vamos usar nosso jurídico, vamos pedir a anulação dessas eleições”, declarou o senador após a divulgação do resultado.

O candidato também criticou a decisão de estender a votação até as 19h em determinadas seções eleitorais.

“Não vou aceitar que essa regra tenha mudado em cima do jogo”, afirmou.

A decisão de Zanin havia considerado relatos de dificuldades no transporte de eleitores e pedidos apresentados pelas duas campanhas, incluindo a de Flávio.

A derrota não foi reconhecida pelo senador, mas foi aceita por dirigentes de partidos que haviam apoiado sua candidatura.

“Parabenizo o presidente Lula pela reeleição. O novo mandato traz a responsabilidade de governar para todos os brasileiros, inclusive os que votaram em Flávio Bolsonaro”, declarou Marcos Pereira, presidente do Republicanos.

Depois da eleição, Flávio deixou o Brasil e seguiu para os Estados Unidos. Seu mandato no Senado termina em janeiro de 2027.

Jair Bolsonaro pode perder a patente militar

A situação de Jair Bolsonaro também poderá sofrer uma mudança importante no próximo ano.

Condenado pelo STF a 27 anos e três meses de prisão por crimes relacionados à tentativa de golpe de Estado, o ex-presidente é alvo de um pedido do Ministério Público Militar para perder o posto e a patente de capitão reformado do Exército.

O pedido foi apresentado em fevereiro, mas o Superior Tribunal Militar (STM) ainda não concluiu a análise.

Segundo informações divulgadas pelo tribunal, os processos continuam em tramitação e os julgamentos devem ocorrer em 2027.

“Os casos mencionados estão dentro desse prazo. A previsão é que os julgamentos ocorram no início de 2027”, informou o STM.

A análise também envolve os generais Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Walter Braga Netto, além do almirante Almir Garnier.

Ao apresentar as representações, o Ministério Público Militar esclareceu que o STM não terá a função de reexaminar as condenações criminais.

“Já ao STM, cabe decidir sobre a permanência desses militares representados no posto e na patente que ocupam nas Forças Armadas”, explicou o órgão.

Caso seja declarado indigno para o oficialato, Bolsonaro perderá a patente militar. A decisão poderá produzir consequências administrativas e financeiras, mas não modificará automaticamente sua condenação criminal.

Eduardo Bolsonaro é condenado e permanece nos Estados Unidos

Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos desde 2025, também enfrenta consequências judiciais por sua atuação política em Washington.

Em junho, a Primeira Turma do STF o condenou a quatro anos e dois meses de prisão pelo crime de coação no curso do processo.

Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ex-deputado articulou sanções americanas contra autoridades brasileiras para tentar interferir no julgamento de Jair Bolsonaro.

Na denúncia apresentada ao Supremo, o procurador-geral Paulo Gonet descreveu a atuação atribuída a Eduardo e ao empresário Paulo Figueiredo.

“Ameaçavam as autoridades judiciárias e de outros Poderes com a promessa de que conseguiriam de autoridades norte-americanas sanções dispostas para dificultar e arruinar suas vidas civis, mesmo no Brasil”, afirmou Gonet.

O Ministério Público Federal sustentou que as iniciativas não se limitaram a manifestações políticas, mas buscaram pressionar integrantes da Justiça brasileira durante o andamento de processos judiciais.

Em outubro, foi determinada a expedição de mandado de prisão contra Eduardo, que continua em território americano.

O ex-deputado também perdeu o mandato parlamentar e foi desligado do cargo de escrivão da Polícia Federal.

A existência de um mandado de prisão no Brasil não implica prisão automática nos Estados Unidos. Eventuais medidas de cooperação internacional dependem de procedimentos próprios e da análise das autoridades americanas.

Trump perde força no Congresso: o que muda para os Bolsonaro?

As eleições legislativas americanas de terça-feira (3) acrescentaram uma nova variável à situação da família Bolsonaro.

Com a vitória democrata e a perda do controle republicano sobre o Congresso, o governo Trump poderá enfrentar maior fiscalização parlamentar.

A mudança é relevante porque o presidente americano apoiou publicamente Jair Bolsonaro e adotou medidas contra autoridades brasileiras durante o julgamento da trama golpista.

A atuação americana também esteve no centro do processo que resultou na condenação de Eduardo Bolsonaro.

Em junho, o Ministério Público Federal afirmou que as sanções buscadas pelo ex-deputado haviam provocado prejuízos econômicos e tentado interferir na Justiça brasileira.

Para a PGR, a atuação de Eduardo tinha como objetivo impedir ou influenciar o julgamento do pai.

O novo Congresso poderá exigir explicações sobre decisões do Executivo americano, incluindo autorizações migratórias concedidas a integrantes da família Bolsonaro.

Isso, porém, não significa que Trump tenha retirado seu apoio pessoal aos brasileiros nem que o Legislativo possa determinar diretamente a deportação de Flávio ou Eduardo.

Flávio e Eduardo podem ser obrigados a deixar os Estados Unidos?

A situação dos dois irmãos depende das regras migratórias americanas e de eventuais procedimentos judiciais.

Flávio recebeu autorização temporária para entrar nos Estados Unidos após deixar o Brasil. Essa autorização não equivale automaticamente à concessão de asilo político ou residência permanente.

Já Eduardo enfrenta uma condenação criminal no Brasil, mas qualquer consequência em território americano dependerá das autoridades locais.

A possibilidade de uma investigação parlamentar sobre a atuação do governo Trump não representa, por si só, uma ordem de deportação.

Também não há decisão pública que determine a saída imediata dos dois irmãos dos Estados Unidos.

A derrota de Flávio também muda os planos para Jair

A vitória de Flávio Bolsonaro poderia ter aberto espaço para iniciativas políticas em favor do pai, incluindo discussões sobre um eventual indulto presidencial.

Com a reeleição de Lula, essa possibilidade deixou de estar nas mãos de um integrante da família.

Isso não impede que a defesa de Jair Bolsonaro apresente recursos ou que seus aliados defendam mudanças legislativas no Congresso.

Mesmo sem conquistar a Presidência, Flávio recebeu quase 60 milhões de votos. Além disso, Michelle Bolsonaro e Carlos Bolsonaro foram eleitos para o Senado, enquanto Jair Renan e Renato Bolsonaro conquistaram vagas na Câmara dos Deputados.

O Partido Liberal também terá uma bancada expressiva no Congresso a partir de 2027.

A vitória dos democratas nas eleições legislativas americanas pode aumentar a pressão sobre os irmãos Bolsonaro, que estão nos Estados Unidos. Parlamentares da oposição já cobram explicações sobre a entrada de Flávio no país e prometem investigar uma possível ajuda do governo de Donald Trump

Notícias ao Minuto | 04:17 – 04/11/2026

 



Fonte: Notícias ao Minuto

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