Dólar fecha em alta, e Bolsa recua com cautela no exterior e cenário eleitoral



SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O dólar fechou em alta de 0,74%, a R$ 5,014, nesta quarta-feira (7), em meio a uma correção após as quedas dos últimos pregões, quando a moeda foi pressionada pela euforia com os resultados do primeiro turno das eleições.

A alta também ocorreu em meio à maior cautela nos mercados globais, com a valorização do petróleo voltando a gerar apreensão entre investidores. No exterior, o índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a outras seis divisas fortes, avançou 0,46% durante o dia.

Também influenciada pelo ambiente de maior aversão ao risco, a Bolsa recuou 0,74%, a 204.302 pontos, em movimento mais moderado que o observado lá fora. Nos EUA, os índices S&P 500, Nasdaq e Dow Jones caíram 0,22%, 0,22% e 0,66%, respectivamente.

O desempenho da moeda foi influenciado pelo cenário global de aversão ao risco. Por volta das 17h, o petróleo Brent, referência mundial, recuava 0,41%, a US$ 100,99, após atingir US$ 102,59 na máxima, uma alta de 2%, e passar grande parte da sessão em avanço.

Segundo um assessor do comandante da Guarda Revolucionária iraniana à agência de notícias semioficial Fars, rotas de trânsito no estreito de Hormuz consideradas ilegais pelo Irã serão fechadas em breve.

Além disso, os ataques a petroleiros que navegavam pelo estreito de Hormuz atingiram na semana passada o maior número registrado em uma única semana desde o início da guerra com o Irã, de acordo com dados do Centro Conjunto de Informações Marítimas (JMIC), liderado pela Marinha dos Estados Unidos.

Com isso, o conflito voltou a alimentar temores de inflação persistente, fortalecendo o dólar e pressionando os rendimentos dos Treasuries, títulos da dívida americana. Na máxima, o rendimento do Treasury de dez anos chegou a 5,3624%, maior nível desde março de 2002.

Também pesou a divulgação da ata do Fed (Federal Reserve, banco central dos EUA). Segundo o documento, vários participantes afirmaram que consideravam a taxa de juros atual “não restritiva ou apenas levemente restritiva” e que “a maioria dos participantes avaliou que outro aumento para a taxa de juros provavelmente seria apropriado até o final do ano”.

A elevação dos juros americanos pressiona os ativos de mercados emergentes, já que, em um ambiente de maior aversão ao risco, investidores tendem a buscar aplicações consideradas mais seguras, como o dólar e os títulos do governo dos Estados Unidos.

O impacto no pregão doméstico, contudo, foi considerado limitado. Para Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, os ativos brasileiros continuaram resilientes.

“A despeito do ambiente externo adverso, a atenção doméstica segue voltada para os balanços corporativos e as discussões fiscais do país, enquanto a continuidade do fluxo comprador de capital estrangeiro oferece suporte relevante às ações locais”, afirmou.

Segundo dados da B3 até o dia 5 de outubro, segunda-feira após a eleição, o fluxo de investidores estrangeiros acumula saldo positivo de R$ 12,6 bilhões no mês. Apenas na segunda o aporte foi de R$ 10,6 bilhões.

O movimento ocorreu com os investidores ainda repercutindo o resultado do primeiro turno da eleição presidencial, que terminou com o senador Flávio Bolsonaro (PL) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A reação dos mercados ao resultado refletiu a expectativa de alternância de poder e de uma condução fiscal mais sólida, na avaliação de investidores. Esse cenário reduz a percepção de risco sobre os ativos brasileiros e aumenta o otimismo entre analistas.

Com uma trajetória da dívida mais controlada, o governo poderia pagar um prêmio menor para se financiar, o que tende a aliviar a curva de juros. Taxas mais baixas, por sua vez, reduzem o custo do crédito para empresas e podem melhorar as perspectivas para os lucros, favorecendo a Bolsa.

Flávio Bolsonaro terminou o primeiro turno na liderança, com 47,03% dos votos, ante 45,16% de Lula. Os dois disputarão o segundo turno, marcado para o próximo dia 25.

Na segunda-feira, a Bolsa superou o patamar inédito de 200 mil pontos e chegou a 209.605 pontos, um novo recorde durante o período de negociações. O dólar, por outro lado, recuou para abaixo da marca de R$ 5. Na terça-feira, a moeda atingiu o menor patamar desde maio.

A euforia também se refletiu nos juros futuros, que recuaram mais de 100 pontos-base durante a semana. Juros mais baixos tendem a reduzir o custo de financiamento para empresas, estimular o consumo e os investimentos e diminuir o peso da dívida sobre as companhias. Além disso, com uma projeção menor para os custos de financiamento, aumenta o valor presente dos fluxos de caixa esperados pelas empresas, o que pode favorecer a cotação de suas ações.

Entre os bancos, o JPMorgan afirma que a expectativa de vitória de Flávio pode levar as ações brasileiras a uma alta de 10% a 11% no curto prazo e o dólar à faixa entre R$ 4,95 e R$ 5, além de provocar o fechamento da curva de juros.
O BTG Pactual estima potencial de alta de 11% a 20% para as ações brasileiras caso Flávio vença. Já o Goldman Sachs é mais cauteloso e diz que o segundo turno tende a ser polarizado.

O Morgan Stanley afirma que o resultado aproxima o mercado de seu cenário otimista e projeta dólar a R$ 4,50 no primeiro trimestre de 2027 e Ibovespa a 250 mil pontos caso seja apresentado um plano fiscal crível e o cenário global permaneça estável.

O UBS também vê espaço para valorização dos ativos caso o segundo turno confirme o resultado do primeiro e o mercado passe a precificar uma estabilização da dívida em relação ao PIB. O banco projeta dólar entre R$ 4,50 e R$ 4,60 e potencial de alta superior a 30% para a Bolsa nos próximos meses.

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Fonte: Notícias ao Minuto

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