Eduarda Campopiano (PL), eleita deputada estadual com a maior votação de São Paulo, publicou um ataque transfóbico contra a deputada federal reeleita Erika Hilton (PSOL-SP) poucas horas depois do primeiro turno das eleições, realizado no domingo (4).
Na madrugada desta segunda-feira (5), Campopiano usou sua conta no X para mencionar Erika e se referiu à parlamentar, que é uma mulher trans, como “homem biológico”, enquanto comparava o desempenho eleitoral das duas.
“Oi @ErikakHilton. Como é saber que um homem biológico nunca vai ocupar o espaço da mulher mais votada de São Paulo? Rs”, escreveu Campopiano.
A publicação ocorreu por volta de 1h20, depois do encerramento da apuração do primeiro turno.
Quem é Eduarda Campopiano
Aos 23 anos, Campopiano foi eleita para a Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com 1.956.238 votos, tornando-se a candidata a deputada estadual mais votada no estado. Antes da eleição, ela exercia o cargo de vereadora em Praia Grande, no litoral paulista.
Campopiano tem ligação política com Lucas Pavanato (PL) e se apresenta nas redes sociais como “a maior inimiga das feministas de São Paulo”. Sua atuação política ganhou projeção principalmente por meio das redes sociais e de discursos ligados a pautas conservadoras.
Até a publicação da reportagem original, Erika Hilton não havia se manifestado sobre a mensagem. O Terra informou ter procurado a assessoria da parlamentar e aguardava retorno.
Erika Hilton teve votação recorde
Erika Hilton também alcançou um resultado histórico nas urnas. A parlamentar foi reeleita deputada federal por São Paulo com 1.596.472 votos e se tornou a mulher mais votada da história do Brasil em uma eleição para a Câmara dos Deputados.
No estado de São Paulo, Erika terminou como a segunda candidata mais votada para deputada federal.
Em 2022, ela havia sido eleita para a Câmara depois de exercer mandato como vereadora da cidade de São Paulo. Antes disso, integrou a Bancada Ativista na Assembleia Legislativa paulista.
Erika Hilton recebeu ameaça de morte no dia da eleição
O ataque de Campopiano ocorreu horas depois de Erika Hilton receber uma ameaça de morte por e-mail na manhã de domingo, dia da votação.
De acordo com a assessoria da deputada, a mensagem continha ataques transfóbicos e informações pessoais, incluindo dados e endereço da parlamentar. O autor dizia conhecer informações sobre Erika e ameaçava matá-la.
“Eu sei tudo sobre você, eu vou te matar em breve”, dizia um dos trechos divulgados.
Diante da ameaça, Erika registrou um boletim de ocorrência e adiou sua ida à seção eleitoral enquanto reforçava a segurança. A deputada conseguiu votar por volta das 16h35, acompanhada por integrantes de sua equipe de segurança.
Nesta segunda-feira, a repercussão da publicação de Campopiano ganhou um novo capítulo. A deputada estadual Sofia Favero (PSOL-SP) acionou o Ministério Público de São Paulo e pediu a abertura de investigação por transfobia e violência política de gênero.



