O governo dos Estados Unidos confirmou que concederá vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e a seus familiares, permitindo a entrada deles no país. A informação foi divulgada nesta terça-feira (27), após a notícia de que o candidato derrotado à Presidência da República deixou o Brasil, apesar de uma determinação do Supremo Tribunal Federal (STF) que o proibia de viajar ao exterior.
Segundo a agência Reuters, três fontes confirmaram a saída de Flávio do território brasileiro. Um aliado próximo da família Bolsonaro afirmou que o senador chegou ao estado da Flórida, nos Estados Unidos, mas não informou sua localização exata.
A confirmação sobre os vistos partiu de uma autoridade do Departamento de Estado americano, que também prestou informações à CNN Brasil.
“O Departamento de Estado emitirá vistos para Flávio Bolsonaro e sua família e permitirá a entrada deles nos Estados Unidos”, afirmou o funcionário.
A decisão ocorre dois dias depois da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais, realizado no domingo (25).
Por que Flávio Bolsonaro estava proibido de deixar o Brasil?
O ministro Alexandre de Moraes, do STF, determinou na segunda-feira (26) que Flávio Bolsonaro entregasse seus passaportes à Polícia Federal e permanecesse em território brasileiro.
A medida foi adotada no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, que também envolve o advogado Willer Tomaz, amigo do senador.
Na decisão, Moraes mencionou o risco de fuga e o “expressivo poder econômico” dos investigados.
Flávio deveria entregar seus documentos até as 11h de terça-feira (27), mas não cumpriu o prazo.
Diante disso, a Polícia Federal cancelou os passaportes comum e diplomático do senador e comunicou a restrição aos sistemas internacionais de controle migratório.
O que Flávio Bolsonaro disse antes de deixar o país?
Na segunda-feira (26), o senador publicou um vídeo em suas redes sociais negando qualquer intenção de sair do Brasil.
“Eu nunca pensei em sair do país. Eu vou entregar os meus passaportes e vou me defender dessa aberração, que é uma clara tentativa de me intimidar”, declarou Flávio.
Na mesma manifestação, afirmou que pretendia organizar a oposição ao governo Lula.
A declaração ocorreu depois de seu irmão, o ex-deputado Eduardo Bolsonaro, defender publicamente que Flávio deixasse o Brasil caso fosse derrotado na eleição presidencial.
A possibilidade de saída do país foi mencionada por Moraes na decisão que determinou a apreensão dos passaportes.
Flávio Bolsonaro já teria chegado aos Estados Unidos
Segundo a Reuters, um aliado da família afirmou que o senador desembarcou na Flórida.
Entretanto, até a última atualização das informações, não havia confirmação pública independente sobre o local exato onde Flávio se encontrava ou sobre o trajeto utilizado para deixar o Brasil.
A imprensa argentina divulgou informações sobre uma possível passagem do senador pelo país vizinho, mas o governo da Argentina afirmou não ter registro de sua entrada.
As autoridades argentinas também inspecionaram uma aeronave particular no Aeroporto Internacional de Puerto Iguazú, próximo à fronteira brasileira, sem encontrar um plano de voo que identificasse a família Bolsonaro entre os passageiros.
Uma autoridade da Polícia Federal informou que Flávio não passou por nenhum posto regular de controle migratório brasileiro.
O que disseram Lula e os aliados de Flávio
O presidente Lula criticou a saída do adversário durante um encontro com apoiadores na terça-feira (27), quando comemorou seu aniversário de 81 anos.
“Ato vergonhoso. Se fugiu é porque teme, porque quem não deve não teme”, declarou o presidente.
A notícia também surpreendeu integrantes do Partido Liberal (PL).
O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha presidencial de Flávio, afirmou que não tinha informações sobre o paradeiro do candidato.
“Estamos surpresos porque ontem (segunda) conversamos sobre a necessidade de Flávio, com quase 60 milhões de votos que teve, assumisse esse papel de liderança da oposição”, disse Marinho.
O parlamentar relatou ter recebido uma mensagem de Flávio informando que precisava de um tempo, sem apresentar detalhes sobre seus planos.



