BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) – O governo de Donald Trump baniu o site Politico da cobertura da Casa Branca sob o argumento de que o veículo de notícias teria violado padrões de ética profissional ao usar fontes anônimas e publicar informações sensíveis ou secretas.
O governo, no entanto, usou como um dos exemplos uma reportagem publicada pelo Politico com informações providenciadas oficialmente pela própria Casa Branca, durante um briefing com jornalistas.
A menção está em uma de três cartas enviadas pela Casa Branca a um tribunal que analisa a ação movida pelo Politico e pelas redes CNN e MS NOW, também banidas, para reverter a proibição, segundo o jornal The Washington Post.
No briefing em questão, ainda segundo o jornal, os jornalistas foram instruídos a atribuir as informações a uma “autoridade sênior do governo”, sem nomeá-la. Informes desse tipo, coletivos e sob anonimato, são comuns na relação do Executivo americano com a imprensa do país quando há a intenção de comunicar aos veículos de notícias questões urgentes, mas sensíveis. Outros governos e instituições também adotam essa prática.
Nesse caso, o briefing informou sobre o andamento de um acordo de cessar-fogo dos Estados Unidos com o Irã, em junho. Na ocasião, a autoridade disse que uma trégua tinha chance de 80% a 85% de ser concretizada em breve; alguns dias depois, foi anunciado o único cessar-fogo público do conflito até aqui.
Segundo o registro visto pelo Washington Post, a Casa Branca cita um texto do Politico que fala sobre essa chance de conclusão do acordo junto da avaliação de que vazamentos do tipo poderiam ser prejudiciais à segurança nacional.
“Não posso dar uma data exata [sobre a conclusão do acordo]. E se eu tivesse que dar alguma garantia de que chegaríamos a um acordo, talvez dissesse 75% esta manhã. Provavelmente está mais perto de 80, 85% agora, mas não é 100%”, diz o trecho atribuido a uma “autoridade sênior do governo”, como orientado aos jornalistas.
A reportagem do Politico seguiu as diretrizes solicitadas pela Casa Branca, sem nomear a fonte. Outros veículos, que não foram banidos por Trump, participaram do mesmo informe e publicaram sobre o tema sob as mesmas diretrizes.
O republicano anunciou a proibição na última sexta-feira (18), dizendo sem provas que as três empresas publicavam informações falsas.
Em meio à disputa, agora judicial, o Executivo afirmou nesta quarta que o acesso da imprensa à Casa Branca é um privilégio, não um direito. A declaração consta em uma petição judicial sobre o caso. Os veículos de notícia argumentam que o banimento viola a Primeira Emenda da Constituição, que fala sobre liberdade de expressão.
O juiz federal Timothy Kelly, indicado por Trump em 2017, realizou uma audiência de emergência nesta quarta-feira (23) para analisar o pedido dos veículos de comunicação por uma ordem judicial temporária que revogue a proibição de acesso.
Kelly afirmou que a decisão do presidente de proibir acesso à Casa Branca aos veículos de notícia não parecia estar de acordo com decisão de caso semelhante de uma corte de apelação (segunda instância). Citando precedente do tribunal de apelações do Distrito de Colúmbia, o juiz afirmou que jornalistas têm direito ao devido processo legal antes de terem seus passes revogados pela Casa Branca.
O juiz, no entanto, não tomou nenhuma decisão a respeito de um pedido de liminar que revogasse, ainda que temporariamente, a medida do governo. Por isso, a proibição segue em vigor.
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