O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) determinou, neste domingo (25), o restabelecimento imediato da frota de ônibus de Salvador, após denúncias de que eleitores enfrentavam dificuldades para chegar aos locais de votação no segundo turno das eleições presidenciais.
A decisão estabelece que os coletivos devem circular com frequência equivalente à dos dias úteis, mantendo a gratuidade das passagens. Em caso de descumprimento, foi fixada multa de R$ 1 milhão por hora para o município e para cada empresa responsável pelo transporte público.
O prefeito Bruno Reis (União Brasil) reconheceu que 75 ônibus ficaram retidos pela manhã em uma garagem, mas atribuiu a interrupção à atuação de sindicalistas ligados ao PT, que, segundo ele, teriam colocado adesivos partidários nos veículos.
O que aconteceu com os 75 ônibus em Salvador?
Desde as primeiras horas da manhã, passageiros relataram longas esperas, pontos lotados e dificuldades para encontrar ônibus em diferentes regiões da capital baiana.
Vídeos divulgados nas redes sociais mostraram filas e aglomerações em terminais, incluindo os da Lapa e de Águas Claras.
A Federação Brasil da Esperança, formada por PT, PCdoB e PV, acionou o TRE-BA afirmando que a frota em circulação havia sido reduzida em mais de 50%.
Segundo a representação, dezenas de veículos permaneciam nas garagens durante o horário de votação, comprometendo o deslocamento de eleitores.
O prefeito Bruno Reis apresentou outra versão para o episódio. Em declaração à coluna de Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo, afirmou que sindicalistas teriam colocado adesivos do PT nas janelas dos ônibus.
“É uma concessionária de transporte público que não pode cometer esse crime eleitoral de propaganda. Por isso os ônibus foram retidos até a retirada dos adesivos. Mas já estão circulando nas ruas”, declarou.
O secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, também confirmou a retenção de aproximadamente 75 ônibus. Ao ICL Notícias, atribuiu a demora na liberação dos veículos a dificuldades operacionais.
“Houve um atraso burocrático das equipes em resolver o impasse”, afirmou.
Segundo o secretário, os veículos precisaram passar pela retirada dos adesivos antes de retornar à circulação.
TRE-BA determina multa de R$ 1 milhão por hora
A decisão foi assinada pelo presidente do TRE-BA, desembargador eleitoral Maurício Kertzman Szporer.
O magistrado determinou que a Prefeitura de Salvador e as empresas responsáveis pelo transporte público restabeleçam imediatamente a circulação integral dos ônibus, mantendo a gratuidade durante o restante da votação e pelo período necessário ao retorno dos eleitores.
O secretário municipal de Mobilidade deverá comprovar documentalmente o cumprimento da determinação no prazo de uma hora após ser oficialmente comunicado.
A multa de R$ 1 milhão por hora poderá ser aplicada ao município e individualmente às empresas responsáveis em caso de descumprimento.
O tribunal também determinou que a Polícia Civil fiscalize o cumprimento da ordem, inclusive com a possibilidade de utilização de drones.
Cópias do processo serão encaminhadas à Procuradoria Regional Eleitoral e à Polícia Federal para avaliação de eventuais providências investigativas.
PT pede prisão de secretário e anuncia medida contra prefeito
A Federação Brasil da Esperança pediu à Justiça Eleitoral a prisão em flagrante do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, sob a acusação de dificultar o exercício do voto.
O pedido foi fundamentado em dispositivos do Código Eleitoral que tratam de impedir ou dificultar a votação e de recusar, no dia da eleição, meios de transporte normalmente oferecidos à população.
O senador eleito Rui Costa (PT-BA), coordenador da campanha presidencial de Lula, também afirmou que o partido pretende pedir a prisão do prefeito Bruno Reis.
“Ele está cometendo um crime eleitoral, dificultando que o eleitor exerça sua vontade soberana”, declarou Rui Costa à Folha de S.Paulo.
“Precisa ser preso”, acrescentou.
Bruno Reis rejeitou as acusações e afirmou que o município sempre disponibilizou transporte gratuito durante as eleições.
Até a última atualização, não havia confirmação de prisão do prefeito ou do secretário. Os pedidos apresentados pela federação não equivalem a uma decisão judicial de prisão.
Prefeitura afirma que transporte foi normalizado
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade (Semob) informou que a operação do transporte público de Salvador foi normalizada.
Segundo a pasta, as interrupções ocorreram após episódios de colocação de adesivos eleitorais nos veículos, que teriam exigido a atuação das equipes responsáveis pela operação.
A secretaria informou ainda que as empresas foram notificadas para garantir a disponibilidade integral dos ônibus.
A normalização foi anunciada pela prefeitura, mas não havia, nas informações consultadas, confirmação independente de que toda a frota estivesse efetivamente em circulação no momento da declaração.
Falta de ônibus também é relatada em São Paulo e no Rio
As dificuldades de deslocamento não ficaram restritas à capital baiana.
Em São Paulo, eleitores relataram problemas para encontrar ônibus no Itaim Paulista, na região central e nas proximidades da Avenida Paulista.
A Justiça Eleitoral já havia determinado que a Prefeitura de São Paulo e a SPTrans garantissem a circulação de uma frota equivalente à dos dias úteis durante o segundo turno.
Em Petrópolis, na região serrana do Rio de Janeiro, também houve reclamações sobre a quantidade de ônibus disponíveis.
Segundo o UOL, uma decisão judicial anterior já havia determinado o reforço do transporte no município após problemas registrados no primeiro turno.
Como denunciar falta de transporte para votar?
Na Bahia, eleitores que enfrentarem dificuldades para chegar aos locais de votação por falta de transporte gratuito podem encaminhar denúncias à Defensoria Pública do Estado.
O contato pode ser feito pelo e-mail eleicoes2026@defensoria.ba.def.br.
É necessário informar o município, o local de votação e descrever o problema enfrentado.
O TRE-BA orienta que o transporte coletivo gratuito seja oferecido com frequência equivalente à dos dias úteis, conforme as regras estabelecidas pela Justiça Eleitoral para o segundo turno.


