Mais de 1.300 pessoas foram detidas e 75 investigações relacionadas a incêndios foram abertas após as manifestações de sábado na França, segundo um balanço provisório divulgado neste domingo pelo Ministério do Interior.
A pasta informou ainda que, além das 1.314 detenções, 53 agentes das forças de segurança ficaram feridos e 24 estabelecimentos comerciais foram saqueados.
“Foram abertas várias investigações”, anunciou o ministério em comunicado, sem fornecer mais detalhes nem informar o número de manifestantes feridos.
A noite foi “tranquila”, destacou o Ministério do Interior, após a mobilização social que reuniu entre 410 mil e 800 mil pessoas em todo o país, dependendo da fonte consultada.
As manifestações que levaram centenas de milhares de pessoas às ruas da França no sábado foram encerradas no início da noite, após confrontos em várias cidades.
Às 21h, no horário local (16h em Brasília), não havia relatos de novos distúrbios. Segundo o ministro do Interior, Laurent Nuñez, isso se deveu ao forte esquema de segurança mobilizado pelas autoridades.
“Graças à atuação das forças de segurança, muitos saques foram evitados e não houve ataques direcionados, como os registrados em 17 de outubro, contra prédios públicos, como prefeituras, outros edifícios públicos ou delegacias”, afirmou o ministro aos jornalistas, ao apresentar um balanço provisório.
As manifestações reuniram entre 410 mil pessoas em todo o país, segundo o governo, e 800 mil, de acordo com o sindicato CGT. Em Paris, a estimativa variou entre 110 mil e 250 mil participantes.
Na semana anterior, as autoridades haviam calculado que 550 mil manifestantes foram às ruas, enquanto os sindicatos estimaram o público em 800 mil pessoas.
Nas ruas da capital francesa, o reforço da segurança era visível, com dezenas de veículos policiais e helicópteros acompanhando a marcha. O trajeto havia sido alterado na sexta-feira por determinação das autoridades, levando os manifestantes a ruas mais distantes do centro.
Embora tenha afirmado que as manifestações “correram bem” e que o “balanço foi bastante positivo”, Nuñez lamentou os distúrbios provocados por militantes da “ultraesquerda e extrema-esquerda vestidos de preto”.
A polícia foi alvo de arremessos de objetos, e algumas cidades registraram “danos e saques a estabelecimentos comerciais”. Ainda assim, o número de ocorrências foi muito inferior ao dos cerca de 3 mil incidentes registrados no sábado anterior.
A maioria dos episódios ocorreu em Paris, Marselha, Nantes, Rennes, Tours, Bordeaux, Dijon, Grenoble e Toulouse.
O ministro acrescentou que, pela primeira vez, foram registrados confrontos entre militantes de extrema-direita e de extrema-esquerda nas cidades de Nice e Montpellier.
Impedido de organizar protestos neste domingo, o movimento dos coletes amarelos, que reivindica medidas para aliviar o custo de vida, convocou novas manifestações para o dia 31.
Os sindicatos também estão convocando uma grande mobilização para a semana seguinte, em 5 de novembro, quando está prevista uma greve geral no setor público.



