ONU alerta: Limite de 1,5 grau de aquecimento global já foi ultrapassado


A meta de limitar o aquecimento global a 1,5°C acima dos níveis pré-industriais já não pode mais ser cumprida sem que esse limite seja ultrapassado, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira (21) pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma).

O documento, publicado às vésperas da 31ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP31), que será realizada entre 9 e 20 de novembro, na Turquia, alerta que o mundo precisa agir rapidamente para reduzir a intensidade e a duração do aquecimento acima de 1,5°C.

“A possibilidade de manter o aquecimento global abaixo de 1,5°C em relação aos níveis pré-industriais, sem ultrapassar esse limite ou com uma ultrapassagem limitada, já passou. A tarefa agora é minimizar a duração e a magnitude dessa ultrapassagem e retornar a 1,5°C até o final do século”, afirma o relatório.

O que significa o fracasso da meta de 1,5°C?

O limite foi estabelecido como uma das principais referências do Acordo de Paris, assinado em 2015, durante a COP21.

Na ocasião, os países se comprometeram a manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2°C em comparação com os níveis pré-industriais, além de buscar esforços para restringir o aquecimento a 1,5°C.

A nova avaliação da ONU indica que evitar completamente a ultrapassagem desse patamar já não é uma perspectiva viável. Isso, porém, não significa que a temperatura média do planeta permanecerá necessariamente acima de 1,5°C até 2100.

O objetivo agora é impedir que o aquecimento ultrapasse significativamente esse limite e criar condições para que as temperaturas voltem a cair até o fim do século.

Emissões precisam cair até 69% até 2040

Para reduzir os impactos das mudanças climáticas, o Pnuma analisou um cenário no qual o aquecimento global atingiria um pico entre 1,7°C e 1,8°C, antes de começar a diminuir.

Para que isso aconteça, as emissões globais de gases do efeito estufa precisariam cair drasticamente em relação aos níveis registrados em 2025.

Segundo o relatório, seriam necessários cortes de:

18% até 2030;
45% até 2035;
69% até 2040.

Além da redução das emissões, seria necessário ampliar significativamente as tecnologias e iniciativas capazes de remover dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.

O Pnuma ressalta que essas medidas são fundamentais para limitar os prejuízos ambientais, econômicos e sociais provocados pelo aumento das temperaturas.

Mesmo com a adoção dessas ações, a probabilidade de que o cenário se concretize é de apenas 50%, segundo a avaliação da agência da ONU.

Compromissos atuais dos países são insuficientes

O relatório também alerta para a distância entre as medidas necessárias e os compromissos climáticos já assumidos pelos governos.

As chamadas Contribuições Nacionalmente Determinadas (NDCs), que representam as metas individuais de redução de emissões apresentadas pelos países no âmbito do Acordo de Paris, estão longe de garantir os cortes exigidos.

Mesmo que todos os compromissos sejam integralmente cumpridos, as emissões globais cairiam apenas entre 5% e 8% até 2030, em comparação com os níveis de 2025.

Para 2035, a redução estimada seria de 11% a 15%, também abaixo dos 45% necessários para limitar o pico do aquecimento global a aproximadamente 1,7°C ou 1,8°C.

Diante desse cenário, o Pnuma defende a adoção de medidas mais rigorosas e imediatas, especialmente nos setores responsáveis pelas maiores emissões de gases do efeito estufa.

Guterres afirma que ultrapassar a meta não significa desistir

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a impossibilidade de evitar a ultrapassagem de 1,5°C não deve ser interpretada como motivo para abandonar os esforços de combate às mudanças climáticas.

“Falhar a meta não significa desistir. Ainda podemos fazer com que a ultrapassagem seja a mais breve e limitada possível e trazer as temperaturas de volta para menos de 1,5°C até o final do século”, declarou.

O secretário-geral destacou a necessidade de acelerar a redução das emissões para evitar que o aquecimento alcance níveis ainda mais elevados.

Expansão das energias renováveis oferece oportunidades

Apesar do alerta, o relatório identifica avanços que podem contribuir para a redução das emissões nas próximas décadas.

Desde a assinatura do Acordo de Paris, a produção de energia a partir de fontes renováveis cresceu de maneira exponencial, impulsionada pela ampliação da capacidade de geração solar e eólica.

O documento também aponta que o fornecimento global de energia proveniente do carvão e do petróleo cresceu em ritmo inferior ao que havia sido projetado anteriormente.

Além disso, políticas climáticas adotadas por diferentes países contribuíram para reduzir as emissões de gases do efeito estufa em diversas regiões do mundo.

Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), 102 seções eleitorais tiveram alterações de endereço para o segundo turno das eleições, marcado para domingo (25). O número ainda pode mudar, e a Justiça Eleitoral recomenda que todos os eleitores consultem seu local de votação antes de sair de casa

Folhapress | 03:17 – 21/10/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *