Pregador constrange duas amigas após confundi-las com casal lésbico em Ma


Duas amigas foram constrangidas por um pregador religioso após serem confundidas com um casal lésbico em um terminal de transporte público de Manaus, no Amazonas. O episódio foi registrado em vídeo pelas próprias jovens e ganhou repercussão nas redes sociais nos últimos dias.

O caso aconteceu na Estação de Transferência 3 (E3), localizada no bairro Flores, na zona Centro-Sul da capital amazonense.

Nas imagens, o homem aparece fazendo uma pregação no local e, ao perceber as duas mulheres juntas, passa a dirigir comentários a elas, aparentemente por acreditar que fossem um casal.

Segundo relatos publicados por veículos locais, o pregador afirmou que elas deveriam se arrepender e disse que “Deus ia tocar fogo nos pecadores”.

As jovens esclareceram durante a gravação que são apenas amigas e não mantêm um relacionamento amoroso. Mesmo assim, o homem continuou falando em voz alta enquanto elas permaneciam juntas no terminal.

Apesar do constrangimento provocado pela abordagem e da atenção que a situação despertou entre as pessoas que estavam no local, as duas reagiram com ironia e chegaram a rir durante parte do vídeo.

Vídeo repercutiu nas redes sociais

As imagens começaram a circular amplamente nas redes sociais e provocaram críticas à conduta do pregador. Uma publicação do perfil PSA Notícias classificou o episódio como uma situação em que o homem foi “acusado de proferir ofensas homofóbicas contra duas mulheres”.

Internautas também questionaram a forma como o discurso religioso foi utilizado para abordar as jovens.

“O mal do falso profeta é querer ser Deus e julgar e condenar. Esquecem que a orientação foi amar o próximo. Quem julga é Deus”, escreveu uma usuária em comentário reproduzido por um portal local.

Outra afirmou: “Cresci na religião evangélica, mas nunca vi Deus destratar alguém, mas sempre com mansidão e amor. Esse sim é meu Deus, amor!”.

Até o momento, não há informação pública de que as mulheres tenham registrado boletim de ocorrência ou apresentado denúncia formal contra o pregador. A identidade dele também não foi divulgada.

STF equiparou homofobia à Lei do Racismo

No Brasil, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em 2019, que práticas de homofobia e transfobia devem ser enquadradas nos tipos previstos na Lei do Racismo enquanto não houver legislação específica aprovada pelo Congresso. Em 2023, a Corte também reconheceu que ofensas dirigidas a pessoas LGBTQIA+ podem ser enquadradas como injúria racial.

A própria decisão do Supremo, porém, preserva a liberdade religiosa e o direito de líderes e fiéis divulgarem suas crenças e ensinamentos. O limite estabelecido pela Corte ocorre quando a manifestação configura discurso de ódio, com incitação à discriminação, hostilidade ou violência em razão da orientação sexual ou identidade de gênero.

Não há informação de que as autoridades tenham analisado juridicamente as falas registradas no episódio de Manaus ou concluído que houve crime.

Renata denunciou ter sido vítima de importunação sexual e racismo enquanto trabalhava em um bar no sul da Bahia. De acordo com a cantora, o homem perguntou “qual era o seu valor” e, ao perceber que não estava sendo correspondido, começou a chamá-la de escrava.

Estadao Conteudo | 14:30 – 11/08/2026



Fonte: Notícias ao Minuto

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