A Venezuela assinou um acordo com a norte-americana Hunt Oil para desenvolver dois campos de petróleo e gás no leste do país. O anúncio foi feito pela ministra dos Hidrocarbonetos, Paula Henao, durante uma visita oficial aos Estados Unidos.
O contrato prevê a participação da empresa na produção dos campos de Caro e Carisito. Segundo Henao, a expectativa é recuperar e ampliar a atividade nas duas áreas.
A ministra classificou a Hunt Oil como uma companhia de “reconhecida trajetória” no setor e afirmou que o acordo tem como objetivo impulsionar a produção venezuelana.
As negociações foram concluídas em Houston, no Texas. A delegação venezuelana inclui o vice-ministro da Geopolítica, Eduardo Ramírez, e representantes da estatal Petróleos de Venezuela (PDVSA).
Além do contrato com a Hunt Oil, o governo venezuelano anunciou uma parceria com a SLB, antiga Schlumberger, uma das maiores empresas de serviços para a indústria de petróleo e gás do mundo.
O acordo com a SLB prevê a realização de estudos integrados de reservatórios e a caracterização de áreas petrolíferas no território venezuelano. A iniciativa pretende fornecer informações técnicas para orientar projetos de exploração e produção no país.
A aproximação com a empresa não é inédita. Em junho, Venezuela e SLB já haviam firmado um memorando de entendimento voltado à identificação de oportunidades de cooperação no setor energético.
Venezuela tenta atrair novos investimentos para o petróleo
Os novos contratos fazem parte de um movimento de reabertura da indústria venezuelana ao capital estrangeiro. Desde a captura de Nicolás Maduro por forças dos Estados Unidos, em janeiro, o governo interino de Delcy Rodríguez vem alterando regras do setor e buscando empresas internacionais para recuperar a infraestrutura e ampliar a produção.
Em maio, durante outra visita a Houston, Henao afirmou que a Venezuela estava preparando novas regras para facilitar investimentos e permitir maior participação de companhias privadas na indústria de petróleo e gás.
A produção venezuelana está atualmente em torno de 1,2 milhão de barris de petróleo por dia, segundo dados citados pela Reuters em julho. O governo estabeleceu como meta chegar a cerca de 1,37 milhão de barris diários até o fim de 2026.
A recuperação ocorre mesmo após os dois fortes terremotos que atingiram o norte da Venezuela em 24 de junho. Os tremores, de magnitudes 7,2 e 7,5, provocaram ampla destruição e deixaram 6.438 mortos, segundo o balanço oficial mais recente, divulgado em 17 de agosto.
EUA flexibilizaram regras para empresas do setor
A retomada dos investimentos também foi favorecida por mudanças na política de sanções dos Estados Unidos.
Em fevereiro, o Departamento do Tesouro norte-americano emitiu licenças que abriram espaço para operações e novos contratos envolvendo o setor venezuelano de petróleo e gás. Entre as empresas contempladas estavam Chevron, BP, Eni, Repsol e Shell.
As autorizações foram ampliadas nos meses seguintes. Em junho, por exemplo, o Tesouro atualizou licenças relacionadas a operações de petróleo e gás e ao fornecimento de determinados bens e serviços à Venezuela.
A mudança ocorre em um momento de aproximação entre Caracas e Washington. O governo venezuelano tem buscado investimentos estrangeiros não apenas na indústria petrolífera, mas também em áreas consideradas estratégicas, como mineração e energia elétrica.
Com o contrato firmado com a Hunt Oil e a parceria com a SLB, a Venezuela tenta acelerar a recuperação de uma indústria que possui algumas das maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo e voltou ao centro dos interesses de empresas internacionais após a flexibilização das restrições norte-americanas.



