SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira (21) que permitirá a importação de até 300 mil toneladas de carne moída sem afetar as cotas tarifárias.
A medida faz parte de um acordo de 90 dias para tentar reduzir os preços do produto em um momento em que consumidores norte-americanos enfrentam dificuldades com o custo das compras de supermercado.
Em uma postagem em rede social, Trump disse ter “um compromisso” de que a carne será vendida a preços 25% inferiores aos praticados atualmente no mercado. Ele não informou de quais países virá a carne nem quem assumiu o compromisso de oferecer os preços mais baixos.
“Este acordo reduzirá os preços para os americanos, ao mesmo tempo em que dará espaço para que nosso Grande Rebanho Bovino Americano volte a crescer”, postou o republicano.
Representantes da Casa Branca não responderam imediatamente a um pedido de comentário por mais detalhes sobre o acordo.
No país dos hambúrgueres, a carne bovina é um dos produtos cujos preços mais atormentam os consumidores. Em maio, o preço do bife estava 15% mais caro do que no ano anterior, segundo os dados oficiais da inflação.
Os Estados Unidos estão entre os maiores consumidores de carne bovina do mundo, com pouco mais de 23 kg por habitante em 2025, segundo dados da OCDE.
Desde a pandemia de Covid-19, o preço por libra (pouco menos de 500 g) subiu mais de 50%, indo de menos de US$ 4 no início de 2021 para quase US$ 6,90 em julho deste ano, de acordo com dados do Fed (Federal Reserve, o BC dos EUA). Em um ano, o aumento chega a cerca de 10%.
Os preços refletem as pressões sobre a oferta, com o rebanho bovino em seu nível mais baixo desde a década de 1950, mas também o aumento dos custos, sobretudo de energia, insumos e transporte, que pesam sobre as finanças dos produtores rurais norte-americanos.
Somam-se a esse diagnóstico as consequências dos fenômenos climáticos, com uma seca persistente nos últimos anos nos principais estados produtores dos Estados Unidos, o que dificulta a alimentação dos animais.
Diante do impacto inflacionário das tarifas adicionais generalizadas, principal arma econômica de Trump, Washington também havia eliminado as taxas que incidiam sobre determinados produtos agrícolas procedentes do Brasil, como carne bovina, café e tomate.
Já no início do ano, Donald Trump também havia assinado um decreto que favorecia a entrada de mais carne bovina argentina nos Estados Unidos, ampliando as cotas de importação isentas de tarifas.
Nos últimos meses, Trump intensificou a pressão contra as gigantes do setor, acusando-as de práticas anticompetitivas que prejudicam tanto os pecuaristas quanto os consumidores norte-americanos. As brasileiras JBS e National Beef, controlada pela MBRF, passaram a ser investigadas ao lado da Cargill e da Tyson Foods.
Em 11 de agosto, o conselheiro da Casa Branca Peter Navarro afirmou que as duas empresas brasileiras integram o que chamou de um cartel no setor de processamento de carne bovina dos Estados Unidos. Ele afirmou que a concentração do mercado contribui para elevar os preços pagos pelos consumidores americanos.
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